segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Um familiar de todos nós


Eu não o conheci pessoalmente.

Que jeito burocrático de dizer, não, não!

Vou consertar.

Eu o conheci enquanto pessoa.

E admirei que um juiz pudesse assim descer para o povo e fazer graça.

A graça que nos aliviava os dias. 

O sumano que me era familiar, parecia um irmão, parecia ser um primo ou aquele amigo que de vez em quando aparece pra contar fatos engraçados e potocas na cerca da sua casa.

Que oferecia sua risada gostosa para a gente "discunforme" rir também. 

No barco, na estrada, na rabeta, no avião, lá longe, onde estivéssemos, sua voz ressoava para nos lembrar de nossa sagrada caboclice.

Por isso ele é agora sagrado.

Tanto Cláudio Rendeiro, quanto Epaminondas Gustavo.


Ó, ispia!

Lá vai ele subindo no açaizeiro pra pegar aquele cacho no céu!

Escutem a gargalhada farta da alegria amazônica que somos.

Agora ele olha por nós como estrela que sempre foi.



Que fiques bem, sumano.





terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Companital-86: marcação pra virar o jogo

A camisa tinha o tamanho de um vestido em mim. Eu, pequenino, só teria as duas mãos de fora, a canela e os pés. O resto do corpo estava envolto por aquela camisa amarela surrada, timinho de futebol para jogar atrás do Ginásio de Monte Dourado, num campo de areia não tão pedrado quanto o famoso "sangue de areia", porém suficiente pra ralar qualquer joelho.

Eu nem iria escrever hoje. Sei lá. Estou pra baixo. Influenciado pelo aumento vertiginoso dos casos de Covid-19 no país. Sentei aqui na frente do computador a ensaiar uma tecladas até deixar o momento me levar. Faria uma montagem-charge? Faria um áudio da Rádio Buca da Noite? Não, não, sem vontade. Lembrei-me desse primeiro jogo meu, em 1986, na ideia que eu seria atacante. Saí de casa todo animado pra esse jogo das cinco da tarde para estrear na ponta-direita. 

"Lá vai Carlinho, rápido, insinuante, guisa pra cá, guisa pra lá, é muita habilidade... Uóooooo grita a torcida. Olé. Olé. Parece o Renato Gaúcho".

Pára.

Renato Gaúcho é Bolsonarista. Vai pra lata de lixo da História.

...

Tanta gente a nos sufocar hoje em dia. Atacando-nos de todas as formas, em todas as almas.

E eu, Carlinho, naquela memória pendurada na árvore do Jari, fui indicado pelo arremedo de técnico do meu time a não ser atacante e sim lateral-direito. 

"Carlinho, Tu vais marcar aquele lá, o Gilberto".

Esse sim um pequeno craque. 

Minha expectativa de driblador murchou. Franzi a testa chateado. Fazer o quê? Vou marcar o tal Giberto. E pelas embaixadas na hora do aquecimento, o cara era fera.

Na primeira bola que disputo, recebo um balão. Os homens do alambrado gritam "OLÉ!". Fui novamente: bola debaixo das pernas. 

"OLÉ".

No início até pensei que teria uma crise, daqueles meus arroubos, sentar no chão e chorar; ou sair quebrando tudo pela frente. Resolvi que não. Segui no jogo. 

Drible da vaca (que chamávamos "chagão"). O moleque corre muito!

Chapéu (diferente do balão, que é mais alto).

Guisa de Gilberto pra cá.

Guisa de Gilberto pra lá.

Caí de bunda no chão numa freada de bola que ele deu.

Os homens no alambrado rindo de mim. Gargalhavam. "Pede pra cagar e sai!!". Gritavam.

O jogo rolando. Fim do primeiro tempo.

Começa o segundo tempo.

E num momento tocante à todos simultaneamente, os expectadores barrigudos do alambrado começaram a perceber que o jogo estava empatado e que Gilberto só firulava, driblava-me sim, mas não prosseguia muito perto da trave, eu sempre na perseguição. Não dei pernada. Não fazia falta. Perseguia, perseverava. Atrapalhava, chutava pra lateral. De repente Gilberto cansou-se, estava sem paciência, pois eu não o largava. Eu sei que individualmente estava sendo humilhado, mas o foco de marcação não me abandonava. 

O jogo terminou empatado. Gilberto não fez gol. Olhou pra mim, passou a mão na minha cabeça, meio carinho, meio alertando. Admitindo que eu não desistia fácil.

Os homens do olé passaram a grunhir comentários. Alguns me elogiaram. Talvez eu tenha virado o jogo das opiniões quando Gilberto e eu fomos atrás da bola e juntos demos com as caras na cerca de arame demonstrando que o esforço estava nivelado. Falávamos de brio na atitude.

O brio de quem está sendo driblado pelos acontecimentos como os de hoje.

E caído por ter sido driblado vergonhosamente pela estupidez das pessoas na pandemia que nos assola, eis que o menino Carlinho me chama pro jogo.

Tá certo, Milton, "... toda vez que o adulto fraqueja, ele vem pra me dar a mão...".


Aí, você que me lê, deixa a tua criança te levantar.


Bora pra luta.





segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Lamberto, o Traumatizado: Jesus não é verbo?

Lamberto, o Traumatizado foi comprar pão. Encontra um senhor idoso sem máscara no caminho.

"Senhor, use máscara pra se proteger. O negócio tá pegando...".

"Não tenha medo, tenha fé! Não tenha medo, fé" - respondeu o senhor com ênfase.

"Tenha fé e cuide dos outros também".


Saiu resmungando...

Sem máscara.






Sem traumas (?).





sábado, 2 de janeiro de 2021

Companital-86: prefácio

Belém, 2 de janeiro de 2021.


Filha, estamos em 2021 e quando criança, lá em 1986, eu jurava que veria agora carros voadores. 

Filho, constato que estamos mais para Mad Max do que para Jornada nas Estrelas. Bacurau no meio desta estrada.

E por que eu decidi escolher o ano de 1986 para contar memórias minhas? Entre os possíveis motivos que sondam a minha mente, martelam o fato que neste dito ano tudo clareou, fixou-se, sinalizou que eu estaria saindo da infância para uma pré-adolescência, onze para doze anos de idade, nem lá, nem cá. A primeira confusão realmente mental, nem tanto influenciada pelos hormônios e sim principalmente pela curiosidade e grandeza dos fatos, para o bem e para o mal, que chegaram-me. Confesso que a morte recente de Maradona influenciou pela decisão de escrever sobre Monte Dourado, região do Rio Jari, município de Almeirim, divisa entre os estados do Pará e Amapá, driblada a minha timidez junto com os zagueiros ingleses naquele golaço de El Pibe. O nome primeiro eu já tinha ensaiado: Companital, auto intitulada variação do termo Company Town, aquela que seria a cidade, a vila de uma empresa.   Aqui no Pará eu conhecera além de Monte Dourado, a Companital Vila dos Cabanos, em Barcarena; e a Companital Carajás, no sul do Estado. São lugares, como o nome já explica, em que a vida gira ao redor das indústrias que os construíram e cuja rede de relações sociais é profundamente marcada pelo efeito do trabalho nestas firmas e vice-versa.

Companital já estava acordado há tempos entre as partes que envolvem meu pensar e meu teclar. O acréscimo 86 veio-me das imagens ainda coloridas da Copa do México e do Rock In Rio! Ahhhh, eu já queria ser jovem! Era um frangote que tentava sem sucesso me destacar no papo dos mais adultos e que frustação de ser colocado no meu devido lugar, menino de cara lisa sem um fio de bigode ainda. No ano anterior, 1985, a Organização das Nações Unidas o decretara como Ano Internacional da Juventude. Virou o ano e eu mantive a sensação de ainda estarmos celebrando os jovens mundialmente, afobação que me bagunça a mente. Portanto, se eu misturar fatos ocorridos em outros anos, favor desculpar a minha equivocada linha temporal. Talvez lance pitadas de 1984, 1985 e até mesmo até 1989, mas fica por aí. Sei da década vivida perfeitamente balizada no meu cognitivo, cujo símbolo dos sentimentos vários que tive está representada no ano de 1986. 

Assim, fica: Companital-86. Fiz a checagem. Título escolhido: certo. Período da vida abordado: certo. Quando escrever... Hum? E agora? Não estava certo de quando começar e aí tenho que informar que sou muito fiel ao que leio ou escrevo porque realmente crio verdadeiros relacionamentos literários com minhas obras. Muitas pessoas conseguem ler vários livros ao mesmo tempo, escritores produzem mais de um livro simultaneamente e eu gostaria muito de também ter tais características profícuas, mas não. Mantenho o foco nestas construções e como tenho um projeto de livro (já iniciado) para 2021, veio o dilema. Chamei pelo gênio que me acompanha, minha esposa Neri:

"Amor, estava pensando, que tal se eu fizesse uma série de textos como crônica para falar de Monte Dourado? Desse jeito, acho possível conciliar com o outro livro sem causar conflitos a mim mesmo. O que você acha?".

O gênio respondeu envolto em uma nuvem cheirosa de café:

"Parece que já tens a resposta. Então por que perguntas?".

Gênio magnífico me acompanha. Não tenho dúvida que a voz do gênio que perseguia Sócrates era na verdade de sua esposa, Xantipa.



Pronto! Companital-86 caminhará.



domingo, 20 de dezembro de 2020

SUBSERVIÊNCIA, A QUE OU A QUEM SERVE? Por Manoel Tourinho

 

Decreta-se que nada será obrigado nem proibido. Tudo será permitido, sobretudo brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela (Tiago de Melo em Estatutos do Homem).

 

 

O gesto do Reitor em atentar contra a consulta popular para a formação da lista tríplice, substituindo-a por eleições indiretas, ao melhor estilo do período do Brasil obscurantista, é sintoma do desconhecimento da história de luta libertária travada no Brasil em defesa do ensino público; da mesma forma que desconhece que, na ditadura militar, o paraense secundarista Edson Luís foi assassinado pelos militares na esplanada do Calabouço no Rio de Janeiro, exatamente porque estava participando de movimentos estudantis em defesa da democracia e da liberdade. O Calabouço ou ‘Calaba’ era um dos espaços de resistência contra a ditadura. A UNE era outro espaço, logo invadida, destruída e fechada. Isto, em 1968. O Ato-Institucional n0 5 foi um golpe mortal na democracia e na liberdade da Nação. Nos anos antecedentes ao golpe de 1964, uma das bandeiras do movimento estudantil superior sob o comando da UNE, era a participação dos estudantes nos colegiados das IFES. Inicialmente conseguiu-se uma voz, a do Presidente do Diretório Central dos Estudantes das IFES. Era o início da luta, que reverberou no movimento para conseguir 1/3 dos votos nos colegiados gestores, principalmente nas denominadas Congregações. A então Escola de Agronomia da Amazônia (EAA), esteve fortemente engajada nessa luta, mas, também, contra os movimentos de encampação acionados pela Universidade Federal do Pará. Foram muitas as vezes que estivemos à frente do prédio da Reitoria da UFPA, na antiga São Jerônimo, hoje Gov. José Malcher, gritando contra o autoritarismo da proposta. Vencemos! Mas sem luta não venceríamos. “A luta é a ultima razão do Ser”, nos ensinam os escritos do velho Mouro. Escola de Agronomia, FCAP e UFRA, representam trajetórias de luta democrática, nunca de subserviência irrefutável diante do mando autoritário. Lutas que trouxeram à liça, lideranças de jovens alunas de um ensino então dominado por um machismo exacerbado. Algumas dessas lideranças ainda caminham no nosso campus, a exemplo da Profa. Adélia Benedita Coelho de Souza. Nunca houve recuo; ao contrário, sempre se avançou. O mais notável desses avanços foi a criação da UFRA, na via da trajetória histórica, assegurando a indivisibilidade e perpetuação da luta, assegurando a participação democrática e popular através de instrumentos como a Estatuinte Universitária, o Conselho Consultivo Externo e o Planejamento Estratégico. Mas todos esses instrumentos não teriam sido concebidos se a obediência cega aos ditames do poder central em Brasília tivesse ocorrido, porque o nascimento da UFRA aconteceu, ainda que na contramão dos sentimentos privatistas dominantes na agenda do então Ministro da Educação.

 

Senhor Reitor, inscreva o seu nome entre aqueles que enfrentam o poder, irrefutavelmente, por uma boa causa. Retire sua mensagem imoral enviada ao Consun; lute pela liberdade e pelas causas democráticas. Esteja certo de que as dores que essa atitude poderá trazer-lhe serão bem menores do que obscurecer-se, sujando-se como um homem sem coragem, acovardado, subserviente e bajulador do poder.

 

Manoel Tourinho,

Ex-Reitor e Professor Emérito da UFRA.

 

 

 

  

 

 

 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Sim, fui teimoso. E por que não seria?



Não foi uma defesa fácil. Eram três contra um naquela banca de mestrado no ano 2000. Minhas ideias confrontando com o saudoso Professor Fernando Jardim. Professor Marcelo permanecia tranquilo. Professor Yared só observava. O ponto mais crítico do debate foi a discordância que tínhamos sobre o fato de eu ter separado uma área de floresta secundária e estudá-la com mais detalhe para poder compará-la com a floresta nativa. Jardim dizia que eu deveria ter usado a média do inventário geral em minha dissertação (http://repositorio.ufra.edu.br/jspui/handle/123456789/1088) . Mas como? Como eu saberia dos diferentes potenciais de fornecimento de produtos florestais se não colocasse na balança uma mata em recuperação e uma mata pouco antropizada em suas quantidades de óleo de andiroba, ou de cascas, ou de metros cúbicos de madeira ou de frutas? Fui teimoso e acabei soltando uma frase arrogante, infeliz, que me martela de vez em quando: "Professor Jardim, eu não irei te convencer, o senhor com todo respeito não vai me convencer, isso talvez seja trabalho de uma terceira pessoa no futuro". 

Nossa! Eu achava-me o último caroço do cacho de açaí aos 25 anos.

E quase não fui aprovado. Yared pensava que eu não deveria. Entendia que eu queria saber mais que a banca de doutores, que fui desrespeitoso e por tal não merecia a aprovação. Eu não queria saber mais que eles, juro, só que estava ali para defender minha hipótese como um pai zeloso a proteger um filho ou filha da tempestade. Não tinha a intenção de desrespeitá-los. Minha teimosia ganha força quando os argumentos possuem lacunas, o que perturba-me, incomoda a me franzir a testa e assim espero que alguém mostre onde está tapada a vista do meu raciocínio pra eu retroceda. Naquela banca, eles não mostraram onde eu estava equivocado metodologicamente. 

Fui aprovado porque o Professor Jardim assim o quis e bateu o pé: "o Carlos é assim mesmo e eu prefiro que ele seja assim".  Deu-me uma nota ótima na defesa. Cumpri o que ele, professor Tourinho e professora Rosângela desejavam, o argumento contra o argumento sem ceder às conveniências. Foi uma defesa difícil, já disse isso? Já né?

Foi angustiante. Perdi o nobre amigo Paulo Jorge Dantas, o Cebolinha, amigo meu, amigo de Alírio, amigo da Laura, amigo de Aires, amigão de Samuel Almeida e da Ruth. Amigo de todos. Foi embora deste plano por conta de um motorista imprudente. Cerca de dois meses antes da tragédia, recebi a lascada tarefa como coordenador dos estudantes de mestrado em avisar-lhe que tinha sido jubilado do curso de mestrado e que perderia a sua bolsa, parco recurso que muito o ajudava a cuidar da família. Semanas antes de sua partida, avisou-me naquela viagem do Cidade Nova VI que uma entrevista de emprego o aguardava para um cargo em uma organização não governamental. 

"Mano, que massa!", concluímos tranquilos.

E numa sexta-feira fez a entrevista. E numa sexta foi aprovado. E na segunda-feira assumiria a função. E no sábado partiu pra tristeza de tantos.

Enquanto isso, amigos meus tentavam terminar o mestrado e pela rigidez do processo, abandonaram no fim do percurso. Estresse no limite. 

E para um outro que batalhou muito matematicamente, que lutou noites inteiras e era brilhante, foi-lhe simplesmente dirigido na defesa: "isso não é uma dissertação, aparenta somente ser um relatório técnico". Cara, o rapaz se esmerou pra caramba! Não achei justo. Aliás, eu percebia o sofrimento.

Estávamos sofridos. Ninguém perguntava como nos sentíamos.

Após defender minha dissertação, informaram-me que eu teria que entregar um artigo obrigatoriamente aprovado em uma revista cientifica. 

"Mas por que?". 

"Está na norma, não sabias?".

"Confesso que não. Mas eu defendi a dissertação? Isso não conta pra receber o diploma?".

"Não".

"Não concordo". E fui-me embora. 

"Olhem só o turrão! Não aceita as coisas, rapá? É assim mesmo o sistema! Até parece que tu vais mudar o mundo... Sozinho? Uma andorinha só não faz verão. Aceita quié!".

Não aceitei.

Hoje, 20 anos depois, recebi o diploma. Algo que para minha esposa Neri é muito importante. Para minha filha Sabrina é importante. Para minha filha Bianca é importante, para Jucinha, para Dona Lene, para o mestre Tourinho, para Tarcísio, para Nilza, para Fernanda Mendes, Pollyanna, César, Alynne, Eliana, meus amigos, minhas amigas, ex-colegas de mestrado, meus irmãos, minha mãe, meu pai, para meu amigo Cebolinha. Que gentilmente apontou sua vaga em aberto para que eu trabalhasse na ONG FASE por 9 anos, cuja notícia chegou-me do grande Paulo Oliveira em surpresa:

"Tu sabias que iria trabalhar aqui o Cebolinha? Conhecias?".

"Sim... conhecia...".

Quer saber? Não entrego esse artigo, vou cair no mundo de Gurupá e depois do Marajó e aprender com as comunidades da floresta!

Não quero saber de academia!


Mas aí... veio a juventude querer saber o que eu fazia. O que eu tinha feito. Perguntavam se eu tinha escrito algum livro. Uma jovem indagou se eu poderia ser o seu orientador?

Eu, orientador?

O que eu orientaria?

Será que eu oriento alguém?

E quando avistei o obscuro caminho que parte da sociedade brasileira passou a seguir, disse a mim mesmo:

"É... Tá na hora de voltar para ajudar os que surgem".

Ana Euler e Fernanda Antelo iniciaram meu treinamento de retomada, com calma, conversa e firmeza.


E aqui estou, senhor de minha teimosia que é pista de minha capacidade e resistência.





terça-feira, 24 de novembro de 2020

O Marajó e a Eleição de Vereadoras - 2020

Nas últimas eleições municipais, a sociedade do Marajó decidiu que apenas 23,3% das vagas de vereadores seriam ocupadas por mulheres. Este percentual é maior do o verificado em 2016, onde alcançou-se 15,5% das vagas. 

Apresentamos a tabela com este levantamento:



Melgaço permanece com o gravíssimo problema de não eleger mulheres para serem vereadoras há oito anos, ano-base em que começamos este monitoramento. Vale lembrar que Melgaço é ainda oficialmente o mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país segundo o Censo do IBGE de 2010 e a não presença de mulheres em espaço tão importante para a implementação de políticas públicas não auxilia Melgaço a melhorar seus indicadores sociais. 

Por duas eleições consecutivas, São Sebastião da Boa Vista também não elegeu mulheres para o legislativo municipal. Por outro lado, Santa Cruz do Arari conseguiu o percentual mínimo de paridade entre homens e mulheres na câmara. Aliás, vem numa crescente desde 2012.

O melhor resultado nas eleições para as mulheres ocorreu em Cachoeira do Arari, que escolhera 7 representantes das 11 vagas. Num mundo machista, é uma vitória formidável! 


Parabéns às mulheres eleitas no Marajó!




(*) Fonte: http://www.relatoriosdinamicos.com.br/portalodm/3-igualdade-entre-sexos-e-valorizacao-da-mulher/BRA001015129/soure---pa  

(**) Fonte: https://www.eleicoes2016.com.br/ 

(***) Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-54907573