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este texto respondendo a uma pergunta que me fazem com frequência: por que
militante da CEPLAC? Respondo: - porque
nessa Organização me fiz adepto do pensamento social contrário ao
conservadorismo assentado na classe capitalista agrária-rural e no rentismo
exagerado da economia cacaueira, condições caminhantes na contramão de uma vida
digna para todos; persisto nesse pensamento, sem perspectiva de mudar de lado.
Aproprio-me
do verbo Esperançar, que é movimentar-se, é sair do lugar, é
exercitar um ativismo social e político buscando minimizar as contradições que
permeiam a vida cristã, advindas do sistema capitalista de produção que, ao
lado do reconhecido bem-estar, não abre mão em favorecer todo tipo de sortilégio
de mal estar social e político, como guerras territoriais, tragédias
ambientais, violência urbana e rural desmedidas, desigualdades do poder
econômico e financeiro, a homogeneidade político-partidária impregnada de ismos
(neonazismo, fascismo, militarismo), dentre outros, com seus males.
Embora
não tenham o mesmo sentido, esperançar e esperança andam juntas; são irmãs
siamesas. Nas tragédias diluvianas do mundo do ‘dinheiro pelo dinheiro’ a
exaltação financeira da vida brada mais alto que a própria vida. As tragédias
advindas, quando temperadas com Fé, é o que resta ao cristão desejoso da paz e
da distribuição da riqueza e do bem estar.
O Papa
Francisco I enfatizou a importância da esperança como uma virtude teologal
fundamental. E várias cartas encíclicas da igreja católica abordaram a questão.
Paulo VI, quando escreveu a sua carta “Populorum Progressio (Progresso
dos Povos), nos fez refletir, à luz da esperança, sobre as nossas
aspirações como seres humanos, sobre os desequilíbrios crescentes impulsionados
pelos autos mecanismos de exclusão, arrastando o mundo para muito mais agravos do
que atenuação das disparidades sociais.
Assim,
esperançar é “cultivar a esperança como prática ativa e transformadora, não
apenas aguardar passivamente por mudanças”. Paulo Freire, notável educador
brasileiro, mundialmente reconhecido e agraciado, um cristão de nomeado olhar
humano, nos ensina sobre essas expressões gêmeas: é preciso ter esperança, ele
diz, “mas ter esperança do verbo esperançar, porque tem gente que tem esperança
do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperançar, é espera”.
Esperançar
é se levantar, é não desistir! É juntar-se com outros para fazer de outro modo.
Esperançar é coletivizar-se para encontrar a unidade desejada da Laudato Sí,
de Francisco. Nessa Carta, Francisco
lança um convite para um debate que nos una em torno das políticas nacionais,
que favoreçam transparência nos processos decisórios; um debate que junte a
filosofia, a religião e a ciência, mas sem as espetacularidades da última ou os
dogmas religiosos. Conversas dialógicas mobilizando a filosofia que nos retire das
cavernas onde ainda vivemos, com os mitos que nos enganam. Conversas que
retornem às éticas dos filósofos construtores do pensamento moderno, a exemplo
de Baruch Spinoza, cujas ideias mostram a realidade do Deus sive Natura
(Deus isto
é
Natureza), e coloca o Homo sapiens como parte da natureza, arrepiando o
clero e a ciência mecanicista das domesticações fordistas, dos pacotes
tecnológicos, e das hibridações.
Nenhum
ecossistema mundial precisa tanto dessa reflexão como a Amazônia continental e
planetária, como uma manifestação dessa substancia única e infinita contida na
expressão Spinozina. A Amazônia é um mundo multiétnico, multicultural e
multirreligioso, visível nas práticas religiosas e sociais, sem as afetações do
mercado financeiro e político. A COP 30 recém
realizada no Brasil, não conseguiu dar conta de todos os temas propostos e
mesmo necessários para discussão ou encaminhamentos de soluções; mas todos os
que conseguiram dialogar com as minorias excluídas do processo do
desenvolvimento daquele território, e até mesmo da organização do Evento, alcançaram
algum sucesso
Atitudes
nessa direção imprimem sentido ao Esperançar, desde que se esteja na liça com
olhos para ver e ouvidos para ouvir.
Sou
grato à Raimunda D’Alencar, Professora da UESC-Ilhéus, pela assistência ao
texto.
Manoel M. Tourinho (86a).
Agrônomo e Sociólogo. Professor Aposentado da UFRA, Belém do Pará e
ex-Militante da CEPLAC, na Bahia.

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