segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Protocolo de Consulta Prévia da Comunidade Quilombola de Abacatal

Caríssim@s,

Abaixo imagens do evento de apresentação do Protocolo de Consulta Prévia da Comunidade Quilombola de Abacatal, Aurá, Ananindeua-Pa.

Este documento é importantíssimo para dar voz às famílias diante daqueles projetos governamentais que surgem como rolo-compressor.












quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Meu primeiro Poema: A Saga de Um Sem Teto/ 1990

Caríssim@s,

Resgatei junto à Jucy Costa, amiga de infância de Monte Dourado, o texto abaixo, primeiro poema escrito, em parceria com Rogério Pereira Lima. Não foi registrado seu nome lá Rogério, mas eu bem lembro da nossa dupla e te faço justiça mano velho.

Juro de pé junto (me ajuda Gério!) que eu nunca tinha escutado até então Faroeste Caboclo, do Legião Urbana.

Desculpa pelos erros de português. Errando, acertando, ajustando e tareando.


Assim sou: um incomodado por natureza.












(Por isso que digo, em 2017: as comunidades agroextrativistas do Jari merecem a segurança da terra!)



segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Carta da CPT sobre REDD



Segue transcrição da Carta da Comissão Pastoral da Terra sobre projetos REDD – Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal.

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Carta dos participantes do Encontro sobre REDD


Estivemos reunidos/as dos dias 25 a 29 de setembro de 2017, em Brasília, agentes pastorais da Articulação das CPT’s da Amazônia, professores, pesquisadores, ribeirinhos das comunidades do Seringal Itatinga e Porto Central do município de Manuel Urbano, Seringal Valparaiso do município de Cruzeiros do Sul - Acre, ouvimos e sentimos os clamores que vem dos povos amazônidas.

A história e os testemunhos dos ribeirinhos demonstram que as comunidades tradicionais são constantemente violentadas pela grilagem de terras e pela implementação de megaprojetos de ampliação do agronegócio, e por outros tipos de exploração de recursos naturais em seus territórios por parte dos grandes interesses econômicos.

A partir das experiências relatadas, constatamos que mais uma grande ameaça ronda sobre eles, causada pelos projetos do tipo REDD – Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, que vem sendo implementados nos territórios dos povos das florestas e terras indígenas. Tais projetos são apresentados como se fossem soluções tanto para a crise climática quanto para os problemas vivenciados pelas comunidades. Na realidade são um risco e representam sérias ameaças para as comunidades, além de não reduzirem as emissões de gases responsáveis pelo aquecimento global.

Tais projetos intervêm diretamente no modo de viver da comunidade com proibição de fazerem roçados e de criarem animais de pequeno porte, e impedimento da caça e pesca, e do uso de madeira para construção de suas casas e canoas. Além disso, estes projetos têm causado conflitos e divisões dentro das comunidades, com o  risco de perderem sua autonomia, a soberania alimentar e, até seus territórios.

Iluminados pelas palavras proféticas do Papa Francisco: “A estratégia de compra-venda de ‘créditos de emissão’ pode levar a uma nova forma de especulação, que não ajudaria a reduzir a emissão global de gases poluentes. Este sistema parece ser uma solução rápida e fácil, com a aparência dum certo compromisso com o meio ambiente, mas que não implica de forma alguma uma mudança radical à altura das circunstâncias. Pelo contrário, pode tornar-se um diversivo que permite o consumo excessivo de alguns países e setores.” (LS 171), repudiamos a lógica perversa do “pagar para poder continuar poluindo”, que fundamenta tanto os projetos REDD, quanto outros pagamentos de “Serviços Ambientais”. Lógica que se baseia em compensações climáticas ou ambientais, em que: quem causa emissões excessivas ou outros danos ambientais obtém permissão para continuar poluindo através da compra dos créditos gerados a partir destes projetos. A conversão ecológica proposta pelo Papa somente será possível, se repudiarmos toda e qualquer forma de mercantilização da natureza.

Firme na missão de ser “fiel ao Deus dos pobres e à terra de Deus, ouvindo o clamor que vem dos campos e florestas, seguindo a prática de Jesus...”, a Comissão Pastoral da Terra, que nasceu da Amazônia, reafirma mais uma vez o compromisso com as comunidades que sofrem os impactos dos megaprojetos e repudia as formas de exploração da natureza, que visam somente o lucro rápido em detrimento da vida que pulsa em nossas florestas e dos povos que nela vivem.

CPT’s da Amazônia
Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Lamberto, o Traumatizado: Sistema

Lamberto, o Traumatizado, seguia cabisbaixo na fila da lotérica, plena 3 da tarde, sol de rachar a moleira e de melar o pescoço, num ventilador de teto quebrado e ameaçador, enquanto o carro de som permanecia estacionado chamando em alto e trovão som que era hora de comprar produtos Hinode, sabe lá Lamberto o que era isso. Na mão a conta de luz, a conta da água, o aluguel da casa, a conta da escola do filho, a conta do celular, a conta disso, a conta daquilo, a conta daquilo outro. Na parede, um filme de herói americano da sessão da tarde, seguindo de chamadas do G1, com apresentador todo tatuado e arrumado à moda de hoje, aparentemente progressista, só que não, um futuro (quem sabe, tomara que não) âncora de jornal da noite.


Na vez de Lamberto ser atendido, a moça do caixa, mastigante de um chiclete, avisa batendo a caneta no vidro: 

"Caiu o Sistema".

Lamberto, grita triunfante, erguendo os braços:

"PESSOAS, CAIU O SISTEMA!!!!"

Todos começam a comemorar alegremente, num carnaval improvisado. O carro som tocou um samba-enredo, o pastor iniciou um sapateado a lá Carlinhos de Jesus. As moças do caixa batucaram na mesa de trabalho, tirando da gaveta os papéis higiênicos e jogando no alto como se fosse um baile de fim de ano.

Um bando alegre se juntou e caminhou em cânticos de esperança para a frente da prefeitura da cidade. "Joga o Lixo! Joga o Lixo!" Um imenso monte de lixo foi formado na frente do prédio da prefeitura! Alguns urubus malandros e garças namoradeiras bailavam por cima do lixo e todos bradavam: "no meio do pitiú!! No meio do Pitiú!". 

Em outro canto da cidade, um grupo de foliões derrubavam a estátua da liberdade da Belém Importados. A molecada assanhava: "cai, cai, cai, cai".

No Palácio do Governador, enquanto este reunia com empresários chineses negociando tesouros amazônicos, uma multidão atravessava a guarita, em brados felizes de carimbó "Não queremos nossos jacarés tropeçando em vocês!! Porque ninguém nos leva a sério, só o nosso minério!!". 

Uma Bela e Jovem Senhora chamada Nazaré caminhava contente. E nem era outubro.

Todos pulavam a roleta e até os cobradores pulavam a roleta para lá e para cá em algazarra.

Taxistas buzinavam. Ubers buzinavam. Até apertaram as mãos, entendendo quem era o verdadeiro adversário.

Os médicos, enfermeiros, nutricionistas, todos, estavam na rua atendendo os carentes. 

Traficantes deram de ombros e decidiram não se matar. Policiais deram de ombros e decidiram não se matar. Os dois lados foram cobrar educação e saúde, parando o trânsito na Almirante Barroso.

Um casal apreciava livros de escritores amazônicos, sentados na praça, ao lado da estátua do Barata, todo prosa.

No celular de Lamberto, uma postagem de que Brasília estava numa confusão geral!

Banqueiros saíram de suas fortalezas com bonés e óculos escuros para não serem notados. Se esconderam juntos aos ratos. Uma ratazana chiou: "não cabe mais ninguém aqui!". Socados ali estavam a escória dos juízes, escória de parlamentares e escória dos gestores.

Na frente da TV afiliada da TV Maior, Lamberto já tinha entrado com outra muvuca de gente e girava na cadeira de rodas de uma das salas da emissora, quando é avisado pela moça da lotérica, a dita, mascando chiclete, ali parada na sua frente. Bateu com a caneta na testa de Lamberto.


"Senhor, senhor, o sistema voltou".



O carnaval parou.

O lixo voltou onde estava.

Os negociadores do Palácio voltaram a jogar cartas, enquanto fumavam, baforavam na cara das pessoas.

Nazaré queria brincar mais, só que ninguém queria esticar a brincadeira...

Todos voltaram para suas rotinas.

O carro som voltou ao seu comercial.


Cada médico pro seu canto.

Mortes e mais mortes na guerra das drogas.

Zap, zaps, zaps. O livro no lixeiro. Seu Barata triste.



Brasília requentada.


A fila na lotérica se arrastou novamente.

A moça chamou Lamberto com a caneta no vidro.

Lamberto pagou a conta de luz, não sem antes resmungar da Celpa. Quem estava na fila também resmungou e ficou por isso. 



Longe, bem longe, os Operadores do Sistema avaliaram o ocorrido e se acalmaram pois o Sistema seguia firme e forte outra vez. 


Contudo, tinham medo de outra queda.






Sem traumas.