Sugestões de leitura:
"A regularização fundiária das áreas de ilhas e várzea representa um enorme desafio para o Poder Público e as populações tradicionais amazônicas. Isso por causa da complexidade das normas legais vigentes e da excessiva burocratização dos processos administrativos. Contudo, três experiências realizadas nos últimos anos, em Gurupá, apontam caminhos para garantir a segurança jurídica no que se refere ao uso da terra e dos demais recursos naturais.
A primeira é a assinatura do contrato de cessão de uso entre a União e uma associação de trabalhadores rurais (Santa Bárbara), embora nesse caso ainda haja a necessidade de rever os procedimentos utilizados para garantir uma maior agilidade em sua tramitação..."
http://www.ibcperu.org/doc/isis/6479.pdf
terça-feira, 25 de outubro de 2011
domingo, 23 de outubro de 2011
Aos professores de interior
Canto I
Fessora Ana,
Minha donzela
Me ensina o lápis
Escrever pra ela
A namorada
Que nunca tive
Que nunca soube
Me fez mais livre
Me vê tentando
Me vê já lendo
A água o olho
Já escorrendo
A frase eu leio
Ela se espanta
Eu oro Ana
Tu é a Santa.
Canto II
Fessô Ricardo
Te vejo tão normal
Brincando aquela bola
Um ser cara-de-pau
Beijando as mocinhas
E me deixando mal
Um jeito tão pestinha
Dizendo que é o tal
Mas na sala comigo
Tu fica diferente
“E faça o que eu digo”
E diz o bom pra gente
Me faz um cafuné
Me aponta a borracha
Me diz “como é que é...”
Pergunta “o que tu acha?”
Eu sei que o sinhô
É tudo e o meu nada
Não deixa por favor
De ser a minha guarda.
Pantoja Ramos
Enviado por Pantoja Ramos em 14/10/2011
Código do texto: T3276622
Código do texto: T3276622
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Manejo Florestal Comunitário
Boas práticas de manejo florestal: COOMFLONA abre edital nº 01/2011 de venda de madeira em tora, do PROJETO AMBÉ, Flona Tapajós, Belterra/PA.
http://www.verdeflona.com/edital12011.pdf
Parabéns à COOMFLONA pelo trabalho.
http://www.verdeflona.com/edital12011.pdf
Parabéns à COOMFLONA pelo trabalho.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Andiroba: Onde foram nossos pais?
Carlos Augusto Ramos
"...Uma família de árvores saudáveis tem uma grande variedade de idades, incluindo muitos filhos, uma quantidade média de pais e poucos avós. Isso significa que a família vai continuar reproduzindo bem. Quando não há um bom equilíbrio entre a quantidade de filhos, pais e avós, a espécie pode ter dificuldade de reproduzir e manter a população. Um estudo sobre a andiroba mostrou que havia muitos filhos, mas poucos pais e quase nenhum avô na região de São João de Jaburu em Gurupá, no Pará. A maioria das árvores tinha menos de 25 centímetros de diâmetro. O que você acha que aconteceu com todos os pais e avós? Foram explorados para a extração de madeira. Os moradores da comunidade têm a prática de explorar árvores acima de 30 centímetros. No entanto, hoje, por causa da escassez de andirobeiras adultas, os comunitários se arrependeram e estão repensando o uso da espécie. Por exemplo, as mulheres da comunidade ligadas à Associação dos Produtores do Jaburu estão planejando aproveitar as sementes de andiroba para extrair óleo - que pode ser vendido ou usado ao longo de muitos anos."
http://www.slideshare.net/flavia.smarti/frutferas-e-plantas-teis-na-vida-amaznica
Amazonizar o mundo, para salvá-lo - Alain Muñoz/ ECOcom
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11 de Outubro de 2011
Foto: Karina Miotto |
Um pequeno colégio amazônico enfrenta as mudanças climáticas com melhores resultados que programas governamentais e Nações Unidas. Ele faz parte de um conjunto de ações que também reúne produção orgânica autossuficiente, uma clínica e um hotel na Amazônia Equatoriana. Todos com eletricidade própria e internet.
O colégio Yachana está localizado em plena Amazônia do Equador, na frente do Rio Napo, a sete horas de ônibus desde Quito e a mais 15 minutos de lancha. Chega até as famílias dos estudantes, o que corresponde a 45 comunidades. Recebe aproximadamente 80 novos alunos por ano, que trocam seus lares pela escola – é lá que moram durante 21 dias do mês.
O colégio Yachana está localizado em plena Amazônia do Equador, na frente do Rio Napo, a sete horas de ônibus desde Quito e a mais 15 minutos de lancha. Chega até as famílias dos estudantes, o que corresponde a 45 comunidades. Recebe aproximadamente 80 novos alunos por ano, que trocam seus lares pela escola – é lá que moram durante 21 dias do mês.
Sala de aula é aberta e fica no jardim. Foto: Karina Miotto |
As aulas são inovadoras: totalmente abertas, a Amazônia circundante é a verdadeira grande sala de aula. Lá também tem um sítio com plantação de alimentos orgânicos, resultado do esforço dos próprios alunos. O que produzem lhes serve de alimento e também é direcionado à alimentação de três mil hóspedes anuais que se hospedam no hotel que leva o mesmo nome do colégio: Yachana Lodge . “Cultivamos café, cacau etc para comer melhor. Não utilizamos produtos químicos”, conta a aluna Mariana Conforme.
Dormitório dos estudantes dentro da área do colégio.Foto: Karina Miotto |
O colégio é autossuficiente em energia, com um sistema híbrido. É um dos poucos lugares remotos da Amazônia equatoriana com eletricidade e internet permanentes. Painéis solares provêm 2.000 watts e, quando está nublado ou chovendo, uma usina hidrelétrica gera outros 1.000 watts. A usina é parte de um sistema que canaliza água de chuva acumulada. Ao descer ela gera eletricidade e também alimenta piscinas para criação de peixes. Em breve terão mais energia com biodigestores com uso de gases dos banheiros do Yachana Lodge.
Los finqueros
A cada ano os “finqueros” do colégio, como são conhecidos pequenos proprietários de terra na Amazônia equatoriana, recebem U$ 80 por hectare de floresta para mantê-la em pé, quase três vezes mais do que um programa de governo similar. Para isso, não terão que apresentar títulos legais do terreno, coisa que a metade da população não tem. Mais que títulos, ali, o que vale é a posse reconhecida pela comunidade e pelos vizinhos. Os U$ 80 por hectare também são mais do que ganhariam desmatando. O modelo é uma alternativa para beneficiar pessoas da região.
Este modelo tem sido testado com sete “finqueros” que somam mais de 100 hectares dentro da área do Yachana. O projeto não seria possível sem este colégio, cofundador da fundação Kaya, que o promoverá nos Estados Unidos e Europa. Kaya identificará doadores estrangeiros que poderão doar de U$ 60 e U$ 140. A cada U$ 500, um hectare de floresta poderá ser mantido em pé por cinco anos - U$ 400 irão aos “finqueros” e U$ 100 dólares para monitoramento e educação. Os estudantes farão monitoramento da floresta por meio de GPS e de um Sistema de Informação Geográfica (SIG) desenvolvido pela Universidade de Standford.
Prêmios
O Yachana Lodge, que tem entre seus funcionários diversos alunos do colégio Yachana, levou o prêmio de melhor exemplo de geoturismo da National Geographic, além do Ecoturismo Award, da Associação Internacional de Profissionais de Turismo. Também foi finalista do Turismo do Futuro. O Yachana gerou oportunidades que os estudantes e suas famílias não tinham antes.
A Universidade da Terra, da Costa Rica, destinou ao colégio técnico Yachana 20% de suas bolsas disponíveis para o Equador. “São uns dos melhores estudantes do país”, disse o representante dessa universidade. Não à toa, agências de turismo e hotéis do Equador pedem estudantes do Yachana como estagiários. “São muito trabalhadores e amáveis”, afirmam. Expressivos, seguros e muito orgulhosos de ser o que são, mostram e explicam aos visitantes o que é o colégio, como é a selva. Muitos, em inglês fluente, enquanto outros ainda estudam um segundo idioma, entre eles o português.
“Amazonização” do mundo
Desde o mirante do Yachana Lodge podemos ver o rio Napo à distância. À noite, guias locais - alguns já passaram pelo colégio - propõem desligar as lanternas e ficar em silêncio por 15 minutos. Sob as estrelas e o som da selva, os limites do “eu” se diluem e parece que a gente se funde com a natureza. Com essa inspiração, surgem novas compreensões.
Estes povos amazônicos vivem sem depredar porque compreendem seu ecossistema e respeitam tanto sua dinâmica como seus ciclos naturais. Percebem e alimentam esta relação de interdependência com a floresta, valor enraizado que multiplica bons resultados quando se combinam conhecimentos e tecnologias ancestrais e atuais, como ocorre no Yachana.
A economia e a política não-amazônicas estão acabando com a Amazônia. Em vez de “internacionalizar” a Amazônia para salvá-la, como já propuseram a Cristovão Buarque, deveríamos “amazonizar” o mundo para salvá-lo, como propunha Chico Mendes.
Los finqueros
A cada ano os “finqueros” do colégio, como são conhecidos pequenos proprietários de terra na Amazônia equatoriana, recebem U$ 80 por hectare de floresta para mantê-la em pé, quase três vezes mais do que um programa de governo similar. Para isso, não terão que apresentar títulos legais do terreno, coisa que a metade da população não tem. Mais que títulos, ali, o que vale é a posse reconhecida pela comunidade e pelos vizinhos. Os U$ 80 por hectare também são mais do que ganhariam desmatando. O modelo é uma alternativa para beneficiar pessoas da região.
Este modelo tem sido testado com sete “finqueros” que somam mais de 100 hectares dentro da área do Yachana. O projeto não seria possível sem este colégio, cofundador da fundação Kaya, que o promoverá nos Estados Unidos e Europa. Kaya identificará doadores estrangeiros que poderão doar de U$ 60 e U$ 140. A cada U$ 500, um hectare de floresta poderá ser mantido em pé por cinco anos - U$ 400 irão aos “finqueros” e U$ 100 dólares para monitoramento e educação. Os estudantes farão monitoramento da floresta por meio de GPS e de um Sistema de Informação Geográfica (SIG) desenvolvido pela Universidade de Standford.
Prêmios
O Yachana Lodge, que tem entre seus funcionários diversos alunos do colégio Yachana, levou o prêmio de melhor exemplo de geoturismo da National Geographic, além do Ecoturismo Award, da Associação Internacional de Profissionais de Turismo. Também foi finalista do Turismo do Futuro. O Yachana gerou oportunidades que os estudantes e suas famílias não tinham antes.
A Universidade da Terra, da Costa Rica, destinou ao colégio técnico Yachana 20% de suas bolsas disponíveis para o Equador. “São uns dos melhores estudantes do país”, disse o representante dessa universidade. Não à toa, agências de turismo e hotéis do Equador pedem estudantes do Yachana como estagiários. “São muito trabalhadores e amáveis”, afirmam. Expressivos, seguros e muito orgulhosos de ser o que são, mostram e explicam aos visitantes o que é o colégio, como é a selva. Muitos, em inglês fluente, enquanto outros ainda estudam um segundo idioma, entre eles o português.
“Amazonização” do mundo
Desde o mirante do Yachana Lodge podemos ver o rio Napo à distância. À noite, guias locais - alguns já passaram pelo colégio - propõem desligar as lanternas e ficar em silêncio por 15 minutos. Sob as estrelas e o som da selva, os limites do “eu” se diluem e parece que a gente se funde com a natureza. Com essa inspiração, surgem novas compreensões.
Estes povos amazônicos vivem sem depredar porque compreendem seu ecossistema e respeitam tanto sua dinâmica como seus ciclos naturais. Percebem e alimentam esta relação de interdependência com a floresta, valor enraizado que multiplica bons resultados quando se combinam conhecimentos e tecnologias ancestrais e atuais, como ocorre no Yachana.
A economia e a política não-amazônicas estão acabando com a Amazônia. Em vez de “internacionalizar” a Amazônia para salvá-la, como já propuseram a Cristovão Buarque, deveríamos “amazonizar” o mundo para salvá-lo, como propunha Chico Mendes.
Inspirado pelo Dia das Crianças - Água de moleque
Gurupá, 12 de Agosto de 2007.
A molecada gritava:
A molecada gritava:
- Escasseando água, né, velha??!!
E assim, os jogadores mirins, suados e catinguentos, da escolinha da vida de futebol de Monte Dourado (da qual eu fazia a tarefa de ser o ponta-direita pequenino do time de moleques) protestavam contra a senhora dondoca que negava uma garrafa com água e um copo para matar a sede dos incansáveis boleiros.
O código de compostura de cada cidadão nas cidades de interior como a que eu vivia era nunca deixar de prestar esse serviço de hidratação aos meninos, pois havia um sentimento unânime que não servir um copo com água era um desatino ao ser humano, mesmo que se tratasse de uns pestes como os que formavam o meu time. Afinal, Deus nos tinha presenteado com vários rios e lagos para suprir-nos e que tal produto deveria ser gratuito a todos. Este era um pensamento consensual da década de 1980 e início dos anos 1990.
Na cidade grande, a primeira vez que comprei uma garrinha de água mineral, estranhei dada a minha criação. Senti uma contradição, uma espécie de remorso sem claramente enxergar o motivo da culpa. Era a conclusão que se quebrava uma regra de ouro e a água nunca mais seria oferecida aos moleques caraquentos da bola, porque agora custava numerário, mesmo pouco, mas custava dinheiro. Que os mirins bebessem água de torneira!! Que pegassem suas amebas em suas próprias casas. O pior que isso está se alastrando também para o interior. Rasga-se deste modo um artigo de bom convívio entre os vizinhos
Hoje, penso como temos caminhado velozmente para o conceito pay-per-view (pague-para-assistir) nas demais áreas da vida. Pague-pra-beber, porque a da torneira é um veneno (sendo paga!). Pague-pra-brincar, pois a criançada não tem mais a segurança e lugares para serem descobridores de mundos e assim buscam-se shoppings e jogos eletrônicos. Pague-pra-dançar, pois não se toca mais as músicas românticas, estilo democrático em que o pé-de-chumbo da festa aproveitava para chegar perto da menina bonita no canto do salão e tentar conquistá-la. Agora, com os ritmos frenéticos preponderante nas festas é necessário ser um dançarino básico a qualquer custo: ou você paga uma escola de dança ou paga os vários micos até a espinha se convencer de que é preciso chacoalhar.
Uma frase dessas de autoajuda diz que o homem é adaptável a tudo. Acho correto e virtuoso a não ser que essa adaptação esconda o conformismo de se viver com sufoco todos os dias. Não pode ser adaptação ver rios podres a ponto de recorrermos a compra de água para tudo. Não pode ser normal meninas e meninos em condomínios e prédios fechados, isolados em pátrias isoladas sem exercitar a interação com seus pares de mesma idade. Não é um adaptar-se. É não indignar-se, não ter liberdade, não possuir qualidade de vida. E se mergulhava antes nos rios, de cabeça, fundos e limpos. E se corria na rua (e não eram ladrões!). E não faz tanto tempo (tenho 31 anos) que tudo isso ocorria.
O que é nostálgico para mim é lembrar a galerinha dizendo: “vai lá, Carlinhos, tu que é o menor, pede água para a dona lá”. E lá ia o molequinho com cara de puritano, olhando para a minha unha e pedindo:
- minha senhora, me vê um copo d´água?
- claro, meu filho (eu sempre era filho dessas senhoras, nunca entendi a causa).
A molecada a partir de então, pulava do mato ou de trás de um poste e formava a fila. A dona não reclamava, achava engraçado.
Éramos crianças.
De graça sorríamos todos.
De graça era a vida.
Pantoja Ramos
Enviado por Pantoja Ramos em 13/04/2011
Reeditado em 26/04/2011
Código do texto: T2907179
Reeditado em 26/04/2011
Código do texto: T2907179
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