- Amor, acho que hoje a gente poderia comprar refrigerante, só hoje.
- Mas é meio-dia.
- Vai lá, rapidinho, na padaria.
Fui.
Dois homens tomavam cervejas e conversavam sobre o final da copa. Daquela cena, voltei no tempo: eu, criança, na padaria, comprando refrigerante.
Pedi permissão pra entrar, na sensação de que tinha uns 7 anos e não 50. Os homens me cumprimentaram. Eu devolvi a gentileza. "Papai deve conhecê-los", pensei.
Paguei o refrigerante no pix e não vi o troco em moedas pra eu comprar bombom.
"Poxa", resmunguei comigo.
Voltei pra casa, chutando pedras no caminho e olhando para as nuvens.
As verdadeiras nuvens.

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