terça-feira, 20 de setembro de 2011

A rede

- Tinho, a vida é toda bunita, toda certa, né verdade?

- Mas quandu, Bena, é uma bagunça, uma esculhambação!
- É sim machu! Repara que a genti nasce, cresci, faz filho, e morri numa fileira de coisa, como serventia à Deus.
- Num sei, cumpadri. Eu ainda acho uma bagunça, uma doidice.
- Mas cumu, me explica, como podi sê a vida uma desarrumação?
- Vê só: é qui nem nóis aqui, viajando nesse barco pra Afuá, numa maresia qui leva a genti pra lá e pra cá, de um lado pra outro. Na mão do comandante? Quem leva a genti é o rio na verdadi.
- Mas Tinho, se é assim, tu concorda comigo. Nóis levamos o barco na mão, apesar dos altos e baixos, vencemu a maresia, aplumando o barco.
- Porra, Bena, bora levantá das redi que essi banzeiro brabo num deixa a gente conversá direito.
- Tem razão.
- Bena, tira o lençol da tua redi, senão cai na água cum vento.
- Num esquenta, qui nessa ventania num vira. Mas o qui tu tava falandu?
- Eu tava dizendu qui a genti não manda em nada, é obra da sorte. Quandu tu conheci uma mulhé bonita do nada, essas coisa.
- Acho qui é normal, tanta mulhé qui tem, e vai logo o cara achá uma, mesmo o peão feioso. Num é coisa de sorte.
- É, mas a donzela é outra cabeça qui ele no começo acha boa, bunita, se arrepia, mas o tempu bagunça aquela dona pruma bicha cumplicada, ciumenta, enjoada, essas coisa.
- Issu num diz nada, Tinho, qui a vida é cumplicada. Nóis é qui fazemu ela sê.
- Ah, me diz pruquê?
- Machu, repara: tu se enrabicha pela pequena, faz família, mora cum ela, casa cunforme o qui manda os padre, como o padre Prudêncio de Macapá, tá tudo certu, né?
- É.
- Poisé. Aí tu vê outru rabo-de-saia e mija fora do pinico, baguncando o bem-bom, cercando boca. Ainda se a outra tivé um companheiro, vixe! Tu te ferra certinho!
- Bom...
- Tu não qué qui tua mulhé reine, intão?  É claru qui ela vai ficá cum raiva. É claru.
- É.
- Poisé. Tudo tá bem desenhadu si tu leva a vida no bom caminho, tranqüilo, sossegado. Tu num dá o exemplu, teus filho vão dá trabalho.
- Issu me faz lembrá a filha du Seu Cutaca, lá do rio Teixeira.
- E num é? A filha, treze anus, buchuda, dum marginalzinho.
- Também, o pai é cachaceiro, a mãe daquelas qui num podi vê uma madeira em pé, qué logo derrubá.
- O qui se podia esperá? A vida é tudo certa, nóis é qui reviramu tudo, aqui se faz, aqui se paga!
- Mas vê só: Seu Cutaca ia bem, num era pinguço. Mas pegá a isposa no xique-xique cum Oscarito, vizinhu, quase irmão... qui tu queria? Daí o homi mudou. O pega bagunçou cum a cabeça do infeliz. Como querê a ordem das coisas, se no fundo o homi tava destruído. Num dava! Era normal qui escangalhasse também o juízo da filha.
- Bom.
- Qué vê outra di comu é na tudo na desordem.
- O quê?
- O pingo desse teto em cima da  nossa redi. Vê só, conta comigo: pingo, um, dois, pingo, um, dois, trêis, pingo, um, dois, trêis, quatru, pingo, um, pingo, um, dois, trêis, pingo, um, dois, pingo...
- Que qui tem?
- Num vê, homi! A bagunça dessi pinga-pinga. No tempu, não fica igual, percebe? Ó, pinga, num pinga...
- É tu quase tem razão. Mas repara, pinga, pinga, pinga e vira uma poça embaixo no assualho. A poça, Tinho, a poça! O importante no final é a poça!!
- É, né? Hum...
- Humm...
- Ispia, cumpadri, tua redi espanou e teu lençol caiu na água!!!
- Ah dialho!!!
- Num falei pra tu tirá o lençol??!
- Mas o ventu num tava pra tantu!
- Poisé, Bena, tava organizado, mas de repenti um ventinho a mais, vadio, na bagunça da vida, veio e afuuuuaaaaaaaaaaa...
- É, Tinho, a vida é uma doidice mermu...
Pantoja Ramos
Enviado por Pantoja Ramos em 19/09/2011
Código do texto: T3229544

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Polícia apresenta os irmãos José Rodrigues e Lindonjonhson, acusados de matar o casal de extrativistas José Cláudio e Maria do Espírito Santo

            A Polícia Civil do Pará prendeu na manhã deste domingo (18) os irmãos José Rodrigues Moreira e Lindonjonhson Silva Rocha, acusados de terem executado o casal de extrativistas José Cláudio e Maria do Espírito Santo, em 24 de maio deste ano na cidade de Nova Ipixuna, distante 390 quilômetros de Belém.
Eles foram encontrados na cidade de Novo Repartimento, a 350 quilômetros de Belém. Segundo informações da Polícia Civil, eles estavam em um matagal e armados. Quando perceberam a ação da polícia, eles ainda tentaram escapar. Com eles foram encontrados três revólveres calibre 38 e uma espingarda. Eles serão apresentados na noite deste domingo em Belém. José Rodrigues e Lindonjonson foram encontrados quase quatro meses após o assassinato e cerca de 50 dias depois da decretação da prisão preventiva determinada pelo juiz Murilo Lemos Simão.
A prisão dos dois contou com a participação do Comando de Missões Especiais da Polícia Militar do Pará, da Companhia de Operações Especiais da PM, do Grupamento Aéreo, Grupo de Pronto Emprego da Polícia Civil, da Divisão de Investigações e Operações Especiais da Polícia Civil (PC) e da Delegacia do Meio Ambiente.
José Rodrigues é apontado pelo inquérito policial como o mandante do crime. O conflito entre o fazendeiro e o extrativista começou quando Rodrigues comprou um lote de terra, no primeiro semestre de 2010, por R$ 50 mil. A área tinha 16,5 alqueires ou 449 mil metros quadrados. Entretanto, o irmão de José Cláudio, Francisco, já ocupava esse lote de terra e o extrativista defendia que Francisco permanecesse no local.
Lindonjonson é apontado no inquérito policial como o homem que efetuou os dois disparos de espingarda contra o casal de extrativistas. A Justiça determinou ainda a prisão de uma terceira pessoa, Alberto Lopes do Nascimento. Nascimento, pelas informações da Polícia Civil paraense, dirigia a moto usada na emboscada contra o casal de extrativistas. Ele, até o momento, encontra-se foragido.

Acre é destaque por seu modelo agroflorestal sem elevação do desmatamento

27 de junho de 2011

Veiculo: agencia.ac.gov.br
Autor: Samuel Bryan
O Estado do Acre foi reconhecido este mês através de um documento assinado pelo Conselho de Pesquisa Agrícola Internacional (CGIAR) e a Lexema Consultoria, com base na cidade de Vancouver, no Canadá, que o modelo em vigor no Estado pode indicar caminhos de como aumentar a produção agrícola e, ao mesmo tempo, diminuir os índices de desmatamento. Esse reconhecimento é resultado das políticas de preservação ambiental e desenvolvimento sustentável aplicados no Acre nos últimos 12 anos. Nesse meio tempo, esses investimentos geraram um aumento significativo da produção agropecuária e da redução do desmatamento.
O Estado do Acre, com uma superfície territorial de 164.221,36 Km2 (16.422.136 hectares), corresponde a 4% da área amazônica brasileira e a 1,9% do território nacional e detém aproximadamente 87% de sua cobertura florestal original. A partir da década de 1970, a pressão pela colonização de novas áreas para estabelecimento de atividades agropecuárias a partir do desmatamento levou a graves conflitos fundiários e acabou gerando um forte movimento de
resistência dos seringueiros. Esse processo resultou em uma estrutura de ocupação territorial bastante heterogênea.
Desde 1999 inicia-se um novo modelo de políticas públicas desenhadas a atingir o desenvolvimento sustentável e que vai se consolidando ao longo dos 12 anos subsequentes tendo como base uma mesma linha política, o que permite avançar sobre o legado deixado pela gestão anterior. Nesse período ocorreram grandes avanços em diferentes áreas. “Foi através do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) que definimos as potencialidades e restrições de uso do território do Estado e incentivamos a ocupação de áreas abertas pelo desmatamento para o uso adequado e sustentável da terra”, explica o secretário de Meio Ambiente, Carlos Edegard de Deus.

domingo, 18 de setembro de 2011

Escuta Marajó - RESUMO DA ECONOMIA RURAL EM PORTEL



1. Alguns relatos da Escuta
• “... as associações comunitárias e o Sindicato de trabalhadores e Trabalhadoras Rurais tem aumentado sua intervenção nos processos de manejo dos recursos naturais, agindo como no caso do Rio Acuti-pereira... decisivamente para a diminuição dos altos índices de corte de palmito desenfreado;
• “...A atividade madeireira teve grande representatividade na economia do município de Portel, porém com o aumento da fiscalização sobre exploração madeireira, muitas indústrias deixaram de funcionar. O desemprego municipal aumentou significativamente...”.

2. Números para pensar
• O Marajó possui 487 mil habitantes espalhados em 16 municípios;
• 52.172 pessoas vivem no município de Portel, segundo o IBGE, sendo a 2ª localidade em termos populacionais no Marajó;
• Em 2009 a cultura da mandioca foi responsável por cerca de 30% do valor da produção agrícola do município;
• No período de 2006 a 2010 Portel recebeu o montante em financiamentos na ordem de 3,4 milhões de reais.
• Em 2009, Portel gerou 640 mil reais com a venda de açaí, ocupando a 12ª colocação no Marajó de um total de 37 milhões gerados na região;
• Em palmito, Portel gerou em vendas 80 mil reais, sendo o 9º município em produção;
• Em madeira, Portel produziu em valores R$78 milhões de reais em 2009, sendo o município de maior geração de recursos neste item no Marajó (67% da produção);
• Na lavoura temporária, Portel gerou em 2010 672 mil reais envolvendo produtos como mandioca, milho, feijão, e etc.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Reunião define retomada do plano para o Marajó


Quinta-Feira, 15/09/2011, 16:49:36

Em reunião ocorrida na manhã desta quinta-feira (15), a Casa Civil da Presidência da República, Ministério Público Federal, Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri) e órgãos da sociedade civil retomaram as atividades do Plano de Desenvolvimento do Marajó. Dede junho do ano passado, o plano – iniciado em 2007 – não reunia as três esferas do Poder Público, o que fez do encontro desta quinta um marco.

Segundo a representante da Casa Civil da Presidência, Joahaness Eck, “levar políticas de desenvolvimento ao arquipélago do Marajó é um grande desafio, maior do que em muitos países”. Para ele, o importante agora é alinhar com o Ministério de Minas e Energia e garantir a instalação da subestação de energia no Marajó. “Depois, teremos de ver como se dará a expansão a partir de sua chegada em Breves”, analisa.

Para o procurador da República Alan Mansour, o mais importante foi o balanço feito pelas secretarias envolvidas. “Fazia mais de um ano que não havia reunião sobre o plano. Saber do andamento de secretarias como a de segurança, por exemplo, é o grande passo para retomar o plano e implantar as políticas de desenvolvimento na região”, referendou.

Alan Mansour informou ainda que o Ministério Público Federal continuará com seu papel fiscalizador, mas que também será mais enfático em prol do Marajó. “Estamos empenhados em conseguir, por exemplo, a implantação do transporte aéreo para o arquipélago. Já tivemos reunião com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e agora buscamos o apoio da Secretaria de Estado de Transportes (Setran). Queremos a construção de pistas de pouso nas cidades e precisamos avançar nisso”, explicou o procurador.

Após esta primeira reunião de balanço, o secretário de Agricultura, Hildegardo Nunes, informou que a Sagri estará à frente do plano do Marajó, em parceria com outras secretarias de governo, como a Sedes, Segup e Sespa, além das prefeituras de cada cidade envolvida e órgãos do governo federal. Atualmente, o Conselho do Plano de Desenvolvimento do Marajó agrupa 31 pessoas, que representam organizações não-governamentais (ONGs), a sociedade civil organizada e governos. A próxima reunião do grupo está marcada para a segunda quinzena de novembro deste ano.

(Secom)
http://diarioonline.com.br/noticia-166715-reuniao-define-retomada-do-plano-para-o-marajo.html

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O Piquiazeiro



De um a um,
Vieram ao Piquiazeiro.
Convidei o Evaristo
Pra fazer espera na madrugada
Mas ele não deu conta
Disse a mim que um urro medonho
Fez-se presente
Fez-se sua pele branca
E pôs-se a correr.

Chamei o Alencar
Pra fazer a espera
Mas o danado se esquivou
Disse que da última vez
Chegou perto do Piquiazeiro
E a Matinta-pereira assobiou
Bem no seu ouvido
E nem tabaco o peste tinha naquela hora
E ficou assim a perambular a procura
De uma velha que nem conhecia

Indiquei o Sabá
Mas o filho duma égua se cagou todo
Disse a mim que tava no Piquiazeiro
Mas uma visagem meteu-lhe porrada
Na sua cara
No seu couro
E saiu em disparada pelo meio das mumbacas
Dando cabeçada
Até hoje na vida

Trouxe o Zé Moraes
E o sacana morreu
Disseram que foi do coração
Pois viu um não-sei-oque pela frente
Lá no Piquiazeiro
Como sempre à noite
A noite dos que vagam
Como o Zé Moraes agora

E esse tal Calixto?
Chamei pro Piquiazeiro
Ele foi
Disse pra ele montar espera
Ele foi
Disse pra montar dormida lá no alto da galhada
Ele foi
Botei tudo que é tipo de barulho pro cabra
Ele dormiu
E só acordou pra atirar na paca que passeava por ali

De manhã tive que chamá-lo no ouvido
Toma teu pote de ouro
Que pote?
Aquele guardado no pé do Piquiazeiro
Ele pegou o pote e se foi como veio
Calmamente
E minha alma enfim, ficou descansada
Descansada.
Pantoja Ramos
Enviado por Pantoja Ramos em 26/04/2011
Código do texto: T2932103

MANDANTE DE CHACINA É BENEFICIADO PELA MOROSIDADE DA JUSTIÇA PARAENSE



Escrito por STTR-STM   
Seg, 05 de setembro de 2011 18:23
O fazendeiro Marlon Lopes Pidde, que chefiou uma chacina na Fazenda Princesa, no município de Marabá, em setembro de 1985, onde 6 trabalhadores rurais foram torturados e posteriormente assassinados, foi colocado em liberdade na semana passada, por decisão em Habeas Corpus do Superior Tribunal de Justiça – STJ.
 Marlon foi preso, preventivamente, pela Polícia Federal no final de 2006, depois de passar 20 anos foragido da Justiça. Ele estava escondido na cidade de São Paulo e usava nome falso para dificultar sua localização. A prisão preventiva de Marlon foi decretada logo após a chacina, à época ele residia em Goiânia, tendo sido visto na cidade por várias vezes, mas, a polícia paraense nunca empreendeu esforços para prendê-lo. Foi preciso a entrada da Polícia Federal no caso para que Marlon fosse localizado e preso.
 O caso ficou conhecido a nível nacional e internacional, em razão da crueldade usada pelos assassinos, chefiados por Marlon, para matar as vítimas. Os seis trabalhadores foram sequestrados em suas casas, amarrados, torturados durante dois dias e assassinados com vários tiros. Depois de mortos, os corpos foram presos uns aos outros com cordas e amarrados a pedras no fundo do rio Itacaiunas. Os corpos só foram localizados mais de uma semana após o crime. O caso foi levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, onde tramita um processo contra o Estado brasileiro.