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quarta-feira, 1 de maio de 2024

Nosso Viver / Por Gracionice Costa



Portel, 1 de maio de 2024.


No comboio do trabalho 

A trilha é água e casco

Subindo o caminho de terra 

Chega em área fértil a espera 

Espera de mudas diversas 

Que delas vem muita alegria 


Comida saudável e proteica 

A fome de muitos sacia 

Com filhos vizinhos e irmãos 

Sempre nos dando as mãos 

Mãos que ajudam um ao outro 

Fortalecendo vínculos e união 

Comum é que praticarmos 

Na comunidade vivemos 

Por nossas terras lutamos 


Defendemos nossa moradia 

Nessa terra somos felizes 

Cuidando com nossa expertise 

Equilíbrio com meio ambiente 

Harmonia entre floresta e gente 

Aqui não se faz nada em bagunça 

Somos composto de tudo 

Inclusive ainda temos a onça 

Zelar pelo bem que nós temos 

Plantar, produzir e cuidar 

Manter as espécies existente 

No Território demarcado e decente 

Aqui tem vida e história 

Geração que perpassa cultura 

Raiz identidade e saber 

Para muitos que o quiserem ver 


Não somos doutores das letras 

As mãos calejadas dissertam 

Que somos de garra e de luta 

Para alcançar a vitória 

Falar nossa história é tão longa...




Poema: Gracionice Costa, liderança comunitária de Monte Hermom, Portel-PA, presidenta da Cooperativa Manejaí e presidenta da Associação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Agroextrativistas do Alto Rio Pacajá.






domingo, 25 de fevereiro de 2024

Aos 50 anos do STTR de Portel

 


Escrevo esta carta em Ponta de Pedras, no Marajó dos Campos. E mesmo longe, agoniou-me saber que não estaria em Portel para comemorar os cinquenta corajosos anos de seu Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais. E apesar de sermos contemporâneos e nascido eu nesta terra, de termos vividos alguns dias de férias em junhos e julhos de minha infância, nossas linhas, Portel e eu, só se cruzaram de vez em 2002, quando iniciava a carreira de técnico-andarilho.

E espanta-me até hoje verificar que o STTR de Portel passou pelos anos 1970, 1980 e 1990 resistente a uma estrutura que oprimia as famílias agroextrativistas do município e quem discordasse desse estado de coisas. Não deve ter sido fácil permanecer sindicato em meio à hegemonia da indústria madeireira e palmiteira, que tinham forte poder político em Portel a ponto de decidir quem ficava e quem deveria sair da terra. Para esses sindicalistas a pressão diária deve gerado inúmeras noites mal dormidas, sem saídas visualizáveis de como levar dignidade àqueles que procuravam o sindicato. Aos que estiveram nesse tempo, trazê-los à memória deste dia 24 de fevereiro de 2024 é ato necessário e justo por sua esperança e perseverança.

Nos últimos vinte anos, testemunhei realizações do STTR que permitem que eu diga que garantir direitos de trabalhadores e trabalhadoras rurais é uma luta constante. Constante pois ao mesmo tempo em que se luta para que as pessoas consigam acessar a previdência social, peleja-se para que tais direitos não regridam. A luta é árdua, uma vez que o STTR luta pela proteção de crianças e adolescentes no meio rural, mesmo que as condições de logística não estejam na altura do desafio posto.

A luta continua companheiros e companheiras, pois entendo que as comunidades tradicionais e STTR foram esplêndidas em ser decisivas para o avanço nas últimas duas décadas do ordenamento fundiário que atualmente abrange certa de 42% do município de Portel. São projetos de assentamentos agroextrativistas, territórios quilombolas e unidades de conservação que ocupam cerca de 1 milhão de hectares de Portel. Ainda assim, a grilagem, o desmatamento e a extração ilegal de madeira são inimigos de sempre para as famílias locais. E candidatos a novos “patrões” surgem a cada dia, e gente, espiem as empresas de carbono nessa novidade. Permanecei atentos e atentas.

Atentos e com atitude. Exigir que as políticas públicas como o crédito rural e acesso a mercados institucionais como o Programa de Aquisição de Alimentos e Programa Nacional de Alimentação Escolar sejam acessadas são também bandeiras do STTR de Portel e eu fico maravilhado quando fotos me chegam de novas entregas da produção das famílias para alimentar outras famílias e crianças. Tudo isso tem sido feito pelo STTR. Um papel de escrever a história nova com parcerias que compreendam o esforço pelo bem-viver no campo.

E essa marca histórica de 50 anos do STTR de Portel precisa estar gravada em quadros de seus presidentes e presidentas e lideranças, Teofro, Gracionice, Odivan, Maria Oneide, Maria Miranda e diretores espalhados pelas paredes. Sei que a casa é modesta, contudo, seu prédio é de certa forma gigante ao presenciar uma revolução discreta e incansável em benefício de todos e todas que vivem nas florestas e rios portelenses.

Dirão que 50 anos passam voando. Perguntemos então por gentileza a este pássaro que tempestades e alvoreceres avistaram para ensinar às próximas gerações.

  

 

 

Ponta de Pedras, 24 de fevereiro de 2024.

 

Pantoja Ramos.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Carta da Amazônia Gurupaense



Reunidos nos dias 27, 28 e 29 de julho de 2023, no sítio Itapereira, município de Gurupá/PA, no evento denominado I Festa da Floresta, agroextrativistas, agricultores familiares, quilombolas, povos da floresta e suas organizações sociais e religiosas que atuam e representam os territórios locais, Projetos de Assentamento, Reserva de Desenvolvimento Sustentável, Reserva Extrativista e Territórios Quilombolas, expuseram e construíram as diretrizes que devem ser consideradas na busca do bem viver na Amazônia Gurupaense.

Os povos da Floresta Gurupaense, conhecedores dos emergentes debates que cercam a Amazônia, definem três temáticas centrais que devem nortear a efetivação das políticas públicas em nossa região, são elas: a Ecologia Integral, a Emergência Climática e a Sociobioeconomia, assim então, as ações políticas devem ser propostas e implementadas considerando tais temáticas, afirmam sua existência, resistência, e coexistência com a Amazônia, e que devem ser protagonistas na elaboração e execução de todas as ações que visam a manutenção da vida.

Nacionalmente, as políticas públicas passam por um momento de reconstrução, após um período recente de desmonte, no qual a Amazônia e seus povos sofreram constantes ataques. Agora, os esforços para a preservação ambiental voltam-se novamente para a Amazônia, e logo então, as populações que nela vivem serão diretamente afetadas, positiva ou negativamente. Os povos da Floresta Gurupaense, que assim se afirmam, tem compreensão das ações necessárias para a preservação da Amazônia, pois assim o fazem há várias gerações.

Completando seus 400 anos de fundação em 2023, o município de Gurupá possui mais de 80% de seu território com floresta em pé, e apenas 0,74% de área desmatada, assim, seu povo demonstra claramente, por meio de suas ações, que sabe como cuidar da natureza, e por isso deve ser visto como um povo guardião da floresta, bem como, ser respeitado em seus modos de agir, produzir e se organizar, além de ser compensado por tamanho serviço prestado à humanidade. Este mesmo povo, conhecedor do ambiente em que vive, ressalta suas preocupações com a emergência climática que já causa efeitos em nosso município.

O planeta terra é um enorme ecossistema no qual todos estão interligados e as ações promovidas por um, geram impactos em todas as formas de vida, Gurupá já sente estes impactos e eles podem ser percebidos na variação das safras de produtos como o açaí, aumento ou queda incomum no nível das marés, aumento da temperatura e redução nos estoques dos organismos aquáticos coma peixes e camarão, os povos da Floresta Gurupaense, comprometem-se com ações e podem apontar caminhos para a saída deste estado emergencial. Na busca pelo bem viver na Amazônia Gurupaense, há necessidade de compreender os seres humanos como parte integrante do meio ambiente, nada para a Amazônia sem a presença da gente que faz parte deste ecossistema e a garantia de direitos como saúde, educação, saneamento básico, infraestrutura, assistência social, segurança, crédito rural, assistência técnica e extensão rural, segurança alimentar e nutricional, também são a garantia da floresta em pé.

As políticas públicas precisam chegar à Amazônia, de forma que a presença do estado seja melhor percebida, os povos da Floresta Gurupaenses, destacam aqui as seguintes áreas com as quais os governos Federal, Estadual e Municipal, precisam agir de forma urgente, incisiva e coordenada.

  • Regulamentação da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais;
  • Criação de um Programa de Fortalecimento da Produção Agroextrativista, que garanta Assistência Técnica, Extensão Rural e Crédito aos atendidos;
  • Efetivação da Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, no município de Gurupá, através do fortalecimento dos órgãos oficiais, com pessoal, equipamentos e transporte;
  • Protagonismo dos agroextrativistas, nas ações de planejamento e gestão das Unidades de Conservação, RDS Itatupâ-Baquiá e RESEX Gurupá-Melgaço;
  • Política educacional que considere e valorize as especificidades da Amazônia Gurupaense, seus povos e sua identidade, com currículo que reconheça a educação agroextrativista, quilombola, de pescadores e agricultores familiares e que esteja integrada aos processos produtivos para assim garantir a permanência dos povos em seus territórios;
  • Instalação de um Polo Universitário em Gurupá, que garanta educação de nível superior pública, gratuita e de qualidade e que atenda a crescente demanda municipal;
  • Titularização de terras no município, e;
  • Fortalecimento do Sistema Único de Saúde no município de Gurupá e sua extensão à todas as comunidades.

Caminhando em consonância com o Governo do Estado do Pará, Gurupá também já se prepara para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças do Clima, a COP30, que acontecerá em 2025 em Belém do Pará, em preparativo para a COP30, os povos da Floresta Gurupaense, se propõem a apresentar uma carta de relato das experiências de vivência e proteção dos territórios aos representantes políticos do Arquipélago de Marajó.


Ainda planejando, a participação gurupaense na COP30 se propõe construir um plano de participação e consolidação a curto, médio e longo prazo, que resulte no acesso às políticas públicas, também, como forma de fortalecimento das organizações sociais locais, construir um fórum de participação local para a COP30, a realização destas ações, tem como objetivo reforçar o protagonismo local neste evento global.

Neste cenário atual de precificação dos serviços ambientais e dos produtos da biodiversidade, os povos da Floresta Gurupaense afirmam a necessidade de observar-se a presença de gente nos territórios, e a inclusão da área social em todos os debates e decisões, gente com saberes e fazeres que estão em sua identidade e que se relacionam diretamente com seu meio de vida, produção e reprodução.

Debater a sociobioeconomia é urgente para garantir a vida digna dos povos e a integridade das florestas, e o fortalecimento do sistema extrativista de produção através, de formação, crédito, processamento de produtos e acesso ao mercado é uma das formas mais eficientes para o alcance da sustentabilidade em todos os seus múltiplos pilares. As ações governamentais devem visar além da preservação ambiental a garantia dos modos de vida nos territórios.

Através da I Festa da Floresta, que se propõe ser um evento anual, o município de Gurupá, abre o debate urgente à respeito da Amazônia e suas diversas formas de vida, e ansiosos desejamos que tal debate se estenda a outros territórios, a partir de agora, nossas ações de reivindicação devem basear-se nas diretrizes coletivamente aqui estabelecidas.


Sítio Itapereira, Gurupá/PA, 29 de julho de 2023.






sábado, 17 de junho de 2023

Açaí Colonial para Mentes Decoloniais



Outro dia, estava eu comprando açaí em Breves. Diz o vendedor:

- Tá R$14,00 o litro.

- Tá bom. É, há 10 anos eu comprei a R$3,00 aqui mesmo em Breves.

E o mototaxista que me esperava entrou na conversa:

- Eu cheguei a ver quando era 50 centavos o litro! Era pequeno ainda.

- Será que um dia abaixa pra menos de R$10,00? - perguntei pela rama.

- Eu mesmo até queria baixar, mas a conta da luz não deixa - queixou-se o batedor de açaí mostrando o boleto pra gente.

- E olha que produzimos muita energia aqui no Pará - arremata o rapaz da moto.

Bingo. 



Pantoja Ramos.



domingo, 18 de dezembro de 2022

Lição Amazônica

 


Originalmente escrito em Belém, 28 de fevereiro de 2020.



Aula de Geografia lá em SP. Professor indaga:

"Alunos, o que é um estuário?".


A mocinha sentada na primeira fila levanta a mão e responde firme:

"Estuário é a embocadura de um rio, sensível aos efeitos das marés, professor".


"Correto! Alguém cite um exemplo de estuário".



A mesma aluna prontamente complementa:

"O Estuário do Rio Amazonas".


"Correto!! Decoraste bem a lição".


Enquanto isso, uma estudante olha pro céu em busca dos pássaros que sempre pousavam no pátio em busca de migalhas de bolacha. Divagava.


O professor percebendo sua falta de atenção, pergunta para tentar tirar-lhe do suposto limbo:


"Você".


"Eu?".


"Sim. Você. Descreva o Estuário do Rio Amazonas".


A estudante dobrou o olhar para a parte esquerda da cabeça, na procura de palavras até expressar:


"Bom, acho que o Estuário do Rio Amazonas é o abraço do maior rio do Mundo na gente para contar da sua alegria em aventurar-se desde lá dos Andes, se despedindo, para assim correr ao Mar que vem a cada seis horas para dizer que está tudo bem com ele".


"Você está muito equivocada, minha cara. De onde tiraste isso! Rá-Rá! Alguém tem uma pergunta pra essa viajante?".


A aluna da primeira fila, pensativa, levantou a mão:


"Você está dizendo que o Rio Amazonas é um ser vivo??!".


"Que nem a gente".


"Isso não tem lógica! Não tem lógica... Não tem... Não tem... Será?".



Primmm!!


Fim da aula.





Pantoja Ramos.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Alertas de Desmatamento no Marajó

 


Caríssimas e Caríssimos,

Ao estudar a plataforma MapBiomas, verifiquei que entre novembro de 2018 e junho de 2021, em Portel, Marajó, foram desmatados 34 mil hectares, o que equivale a cerca de 2.600 Bosques Rodrigues Alves. 


É disparado o município em que mais se desmata a floresta no Marajó.

O que a PL da Grilagem vai legitimar?

Quais os riscos que o desmatamento traz para o surgimento de novas epidemias?

Na luta pela proteção da floresta, os direitos das comunidades tradicionais serão respeitados?

É preciso se mobilizar para manejar e restaurar, pois a velocidade de desmatamento é de 37 hectares/dia. 




Não há muito tempo.


O link da plataforma MapBiomas pode ser acessado em https://plataforma.alerta.mapbiomas.org/ .




quarta-feira, 17 de março de 2021

VACINA PARA TODOS: O QUE PRECISAMOS SABER SOBRE A VACINA DA COVID-19


 

VACINA PARA TODOS: O QUE PRECISAMOS SABER SOBRE A VACINA DA COVID-19


Autor: Campanha Marajó Vivo

Formato: pdf

Tamanho: 3 MB

Ano: 2021


Documento da CAMPANHA MARAJÓ VIVO adaptado do texto do Instituto Socioambiental “Confira o que é verdade sobre a vacinação contra a Covid-19”, elaborado a partir de informações extraídas do Informe Técnico sobre Vacinação do Ministério da Saúde, portais oficiais dos governos estaduais, do Instituto Butantan e veículos de imprensa. 


Realização: Marajó Vivo Colaboração.

Projeto de Educação Sanitária: a Implementação de um Instrumento de Enfrentamento da Covid-19 em Unidades de Conservação (PAEM-UFOPA). 

Patrocínio: Rede Eclesial Panamazônica Brasil (REPAM). 

Apoio: Irmandade dos Devotos do Glorioso São Sebastião (IDGSS). 

Organização: Ima Vieira e Carlos Ramos.

Diagramação: Alyne Kézia Feitoza Cunha.

Arte: Bruno Carvalho Marinho


Para baixar, clicar em https://www.recantodasletras.com.br/e-livros/7208941




domingo, 31 de janeiro de 2021

Ei Balsa! Volta Aqui! Portel Madeireiro 2019

 Caríssimas e Caríssimos,

 

Por meio desta publicação, trago números novos sobre a exploração madeireira em Portel referentes ao ano de 2019, disponível na página do IBGE na internet[1].


O volume de madeira identificado pelo IBGE para 2019 foi de 1 milhão de metros cúbicos. A receita gerada desta exploração foi estimada neste ano em 250 milhões de reais com a comercialização de madeira em tora.


Somando-se os valores de receita movimentada com a exploração de madeira entre os anos de 2009 e 2019, tem-se R$1.938.825.000,00. Para se ter uma ideia do quão vultosos tais valores, o município de Portel no mesmo período (2009-2019) recebeu do Governo Federal, de acordo com o Portal da Transparência[2], o montante de R$ 834.778.034,49. Isso significa que a movimentação de receita em madeira em tora em 11 anos de registro foi 2,3 vezes maior que o investimento da União em Portel.



 

Ei Balsa! Volta aqui...




sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Ei Balsa! Volta Aqui! - Portel Madeireiro 2018

 Caríssimos e Caríssimas,


Este Blog traz a atualização da movimentação de volume de madeira em toras e receita gerada por esta atividade no município de Portel, no Marajó. Os valores remetem ao ano de 2018, segundo dados do IBGE/PEVS (Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura - ver página na internet).

Assim, movimentou-se em 2018 o volume de 995.000 metros cúbicos de madeira em tora, 5 mil metros cúbicos a mais do que em 2017.


A comercialização de madeira em tora gerou a movimentação financeira em 2018 de R$223.875.000,00 (duzentos e vinte e três milhões, oitocentos e setenta e cinco mil reais) de acordo com o IBGE, cerca de 6 milhões de reais a mais em comparação a 2017.



A razão entre o valor de receita total movimentado e o volume de madeira oficialmente comercializado apresenta valor médio de R$225,00/metro cúbico de madeira em tora.


O valor de receita total em madeira em tora somada no período 2010-2018 é 2 vezes maior que o repasse do governo federal ao município de Portel no mesmo período.



O Imposto Sobre Serviços (ISS) da circulação de balsas que trafegam na região transportando madeira, cuja tributação é de 1% a 5% do valor da nota fiscal, poderia gerar em 2018 um valor em arrecadação estimado entre R$2.238.750,00 (dois milhões, duzentos e trinta e oito mil reais, setecentos e cinquenta reais) e R$11.193.750,00 (onze milhões, cento e noventa e três mil, setecentos e cinquenta reais).


Ei Balsa! Ei Balsa! Volta aqui!
Que levas?
Que levas daqui?



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Fonte das informações:
- Sobre a movimentação de madeira em Portel: IBGE/PEVS 2018
- Sobre os repasses federais ao município de Portel: Portal da Transparência




segunda-feira, 20 de julho de 2020

Nosso Suprimo Vemelho




Hoje Erivelton Miranda partiu na vazante de tudo que é físico.

E eu queria falar um pouco do meu amigo de tantas lutas. Só um pouco de sua grandeza.

Para isso, porém, eu preciso falar de Afuá. Lugar interessante, com um terço de sua área coberto por uma baía, o Canal do Vieira. Com 95% de suas terras habitáveis conquistando Reforma Agrária, resultado da luta dos trabalhadores e trabalhadoras rurais e de seu sindicato. Esta segurança transformou o açaí afuaense em uma potência no Marajó, aliás, potência no Estuário do Maior Rio do Mundo.

Afuá é um mundo.

Um mundo onde mulheres e homens de boa vontade se vestiram de vermelho. E Erivelton foi um dos Grandes de sua geração.

Pouco se exaltava. Nem me lembro se isso aconteceu pois tinha que cuidar do coração. Um coração flamenguista que me fazia sempre pedir na encarnação nossa pra ele trocar o toque do telefone do Hino do Flamengo para Hino do Vasco.

"Não, suprimo, deixa como tá". E ria.

Um batalhador de fala calma.

Que passava o recado bem dado.

Tentou ser prefeito. Não conseguiu.

Como assim não conseguiu??!

E as Ilhas à Esquerda do Canal do Vieira?

Para mim, havia uma outra prefeitura: o sindicato. E durante anos, Eri foi o líder dessa outra gestão, de cuidados com as pessoas dos rios, dos igarapés e das florestas.

E quando as dores finais vieram implacáveis, é na História que devemos pensar como o bálsamo para nosso suprimo de camisa vermelha.

E assim quando os anjos fizerem aquela pergunta decisiva:

- Serviste mais aos pobres explorados ou aos ricos exploradores?

Jesus e Maria sorrirão contentes por sua chegada.

Enquanto isso aqui na terra, pode ter certeza mano, a gente falará às novas gerações por ti.

Esteja em Paz.









domingo, 19 de julho de 2020

Iwasa’i




Iwasa’i[1]

“Nós não somos guardiãs da natureza, somos a natureza”.

Sonia Guajajara.


Certo dia li a lenda de Iaçá e do Açaí, muito conhecida entre os marajoaras como eu. Mas sei lá, um inconformismo bateu forte. Senti a necessidade de pensar num outro lado para esta história. Sei que irei muitas vezes errar, mas é preciso que eu tente.

Então começo com uma primeira frase que aponte o caminho de mudança na minha mente: e assim Iasawi deixou-se morrer para renascer mais forte.

Não tenho o lugar de fala de Iasawi nem de todas as mulheres e mães aqui envolvidas. Nunca saberia expor, nem tenho a legitimidade de seus clamores. Por isso, só posso escrever a partir do meu lugar de fala[2] de filho, daquele que se nutriu de sua luta, de sua força, coragem e entendimento sobre o valor da vida. Neste conflito que passo, acabo por intercalar parágrafos para demonstrar que algo está se novamente se transformando dentro mim, eu, criado nos anos 1970 e 1980 para continuar o machismo.

Nesta versão da lenda de Iaçá, inicio na imaginação com nossa protagonista posicionada como na parábola platônica da caverna. Estava Iasawi na frente de sua comunidade a defender algo incompreensível para os demais: sim, era possível sair da situação difícil de carestia em que se encontravam. Iasawi dera as opções, argumentara, fizera as contas. Era necessário um outro estilo de vida da qual tinham se habituado há muitas gerações. Os homens da aldeia, que até então decidiam as questões torciam os narizes, alguns até cuspiam de lado pelo fato de Iasawi, uma mulher, lhes dirigir uma proposta. Tinham aprendido com a igreja que esta deveria ser a relação entre mulheres e homens.

Eu, criança, não entendia sobre aqueles atos. Eu adulto, com a vontade de aprender, fico atento ao que diz Vandana Shiva: “... a convergência do que eu chamo capitalismo e patriarcado está destruindo o planeta. Unindo a enorme violência contra as mulheres, inclusive feminicídios, e a violência contra todos os seres, crianças, idosos, que estão morrendo... Cientistas produzem constantemente estudos que falam da extinção das espécies, das mudanças climáticas, da desertificação e falta de água. O que temos neste século, em que os agrotóxicos estão presentes, é ecocídio e genocídio... Eles têm essa ideia de que matando todos vão ser vencedores, enquanto todos os demais serão perdedores. Assim, vamos estar extintos como espécie humana no próximo século. Por isso, é melhor terminar com o patriarcado antes que ele termine com a vida...[3]”.

Ao ler o relato de Wilma Yãnami Karapotó Plaki-ô, ouvi sua voz dizer que "... a igreja quebrou a parceria índia – índio. A dependência da mulher do marido foi uma ruptura trazida pela igreja. Na sociedade colonial e na capitalista, a figura masculina é o centro do mundo: o homem dominador de tudo na natureza. Após muitos séculos de dominação, a mulher ficou dependente do homem. A mulher indígena, hoje, está reconquistando seu espaço. Estamos acompanhando as mudanças do mundo. Nós, mulheres, estamos estudando nas universidades e exercendo as mesmas profissões que os homens. Perante a lei, todos são iguais tanto homem como mulher; tanto indígena como não indígena..." [4].

Eram tempos difíceis para conseguir comida na tribo de Iasawi, os animais tinham desaparecido, a paca, a cutia, o matrinchã, o aracu, o pirarucu, a onça, o inambu, a harpia. A ação de caçar era forte hábito, base da alimentação de comunidade. Os homens saiam todos os dias pra caçar. Quanto mais caça, mais fama e subida na hierarquia local. Mesmo que não precisassem, matavam para salgar e dependurar nas enviras e cipós para ostentar os animais abatidos.

Algumas mulheres da tribo não concordavam com tais costumes de caça desenfreada, mas não expressavam opinião para confrontar a situação. Iasawi, filha do cacique, por outro lado, questionava tais práticas abertamente. Não por ser filha de quem era, mas porque percebia que o jeito como se tratava a natureza ainda iria lhes trazer um grande infortúnio. O que aconteceu tempo depois, como previra.

Daí verifiquei, por meio dos estudos de Ana Euler, Ana Faulhaber e Camila Moreira, o quanto tem sido centenária a dificuldade das vozes políticas da mulher indígena serem escutadas no país.  Segundo as referidas autoras, “o movimento indígena teve uma conquista histórica com a posse, em 2019, da primeira mulher indígena eleita Deputada Federal no Brasil, a advogada Joênia Wapichana, pelo estado de Roraima. Ainda no processo eleitoral de 2018, tivemos a primeira indígena candidata a vice-presidência da república, Sra. Sônia Guajajara...”[5].

Quando a fome chegou aos parentes de Iasawi e fez as primeiras vítimas, esta tentou convidar a todos para uma assembleia e explicar que haveria uma planta que poderia mitigar os famélicos efeitos da carestia pela carne de animais agora praticamente extintos na região por causa do excesso de caçadas. Uma grande seca, talvez a mais grave daquela geração também assolara aquelas plagas, maltratando de vez os poucos animais que circulavam.  Ela apontava para uma palmeira magra de frutinhos de cores mistas do roxo ao preto, irmanadas de vários estipes a pousar vários pássaros, principalmente periquitos.

“É venenoso!”, disse o velho cacique.

“Como o senhor meu pai sabe?”, indagava a filha.

“Meu pai me disse que ouvira de seu pai, que por sua vez ouviu de seu pai”.

“Se é venenoso, porque os periquitos não morrem?”.

“Periquitos não são como nós”.

“Nunca ninguém tentou comer os frutinhos?”.

“Algumas mulheres tentaram e passaram mal”.

“O que elas sentiram?”, insistiu a curiosa Iasawi.

“Coisas de mulher”.

“Que coisas?”.

“Não sei”.

“Não sabes?”.

O pai já impaciente olhou com severidade e por um milésimo de segundo seu olhar chegou até à varinha de cuieira metros adiante. Iasawi, entendendo o gesto, achou melhor recuar, mas não sem resistir:

“É, o senhor não sabe”.


Fiquei a pensar na situação. Qual o valor daquela palmeira para enfrentar a fome? O que a tribo de Iasawi estava perdendo? Fui pesquisar. Achei a explicação da nutricionista Raisa Lima em entrevista ao sítio de notícias Em Tempo: “... O Açaí roxo é rico em vitaminas C, E e as do complexo B, fortalecendo o nosso sistema imunológico e prevenindo o envelhecimento precoce. Além disso, é fonte de fibras, ajudando a regular o intestino e a combater a prisão de ventre... o açaí possui também grande quantidade de cálcio, o que facilita o ciclo menstrual das mulheres, além de fazer bem para o coração...[6]”. Aprendi quando infanto-adolescente que algo que faz bem para o coração se usa o termo cordial. 

O açaí é cordial. Junta gente. Alimenta as pessoas. 

O brasileiro, senhor Sérgio Buarque de Holanda, o brasileiro não é.

Na tribo de Iasawi, sempre que o período da extrema carestia se instalava, se aplicava uma terrível lei entre os parentes: o abandono dos mais fracos. Uma lei criada há muito tempo, decidida pelos homens, sempre alvo dos protestos das mulheres, sempre subjugadas e não raras vezes abandonadas junto com seus entes. Uma dura lei, não consensual, porém executada pelos masculinos. E naquele ano, os machos mais velhos exigiram a lei do abandono quando a escassez chegou. Houveram gritos de desespero e dor. Iasawi protestava, brigava com os homens, batia neles, mas sozinha e sem a ajuda das outras mulheres, sempre sucumbia quase desmaiada de indignação. O velho cacique, impávido, apontava para o caminhar para o novo local, quem sabe um outro igarapé. O igarapé deixado para trás ficava cheio das lágrimas das mães sofridas por filhos e outros entes largados à própria sorte.

O abandono. Quando uma sociedade abandona suas crianças, estamos na mais baixa capacidade de manter a própria espécie humana. Henrietta Fore, diretora executiva do UNICEF, em 2020 alerta que “... Antes da crise de Covid-19, 32% das crianças em todo o mundo com sintomas de pneumonia não eram levadas a um profissional de saúde. O que acontecerá quando a Covid-19 atingir sua força total? Já estamos vendo interrupções nos serviços de imunização, ameaçando surtos de doenças para as quais já existe uma vacina, como poliomielite, sarampo e cólera. Muitos recém-nascidos, crianças, adolescentes, jovens e gestantes podem morrer por causas não relacionadas ao coronavírus se os sistemas nacionais de saúde, já sob grande tensão, ficarem completamente sobrecarregados. Da mesma forma, muitos programas de nutrição foram interrompidos ou estão suspensos, assim como os programas comunitários de detecção e tratamento precoces de crianças desnutridas. Precisamos agir agora para preservar e fortalecer os sistemas de saúde e alimentação em todos os países[7]...”.

Quando Iasawi engravidou, tentou o máximo esconder sua barriga despontando. Contudo, uma mulher  - que nunca gostara da filha do cacique e de sua criticidade - desconfiou da situação da jovem e a denunciou para os homens da tribo. O cacique incrédulo a princípio, em alguns meses se convenceu que Iasawi estava grávida e manteve sempre alguns rapazes a vigiá-la. Um deles era o pai do bebê no ventre da moça. Graças a esta condição de vigilância, Iasawi pode escolher onde passear e sempre frequentava as proximidades das palmeiras que davam aquele fruto preto-arroxeado. Observou atentamente os pássaros, os periquitos, os papagaios, os tucanos. Reparou nas abelhas pretinhas de manhã cedo, no sol, na chuva. Enquanto os dias passavam, tecia peças de tururi, lindas peças que embelezavam a grande oca. Ficava horas junto às palmeiras, observando, matutando, estudando. Nove fases de luas cheias se seguiram.

Nestes tempos, conversou muito com a maioria das mulheres de maneira reunida. Explicou suas teses em relação ao fruto. O quanto poderiam alimentar-se daqueles estipes.

“Mas como vamos pegá-los? Não temos os instrumentos dos homens para derrubar essas palmeiras?”, perguntou a mais velha do grupo.

“Não precisa”.

“Não??”.

Iasawi apresentou tururis tecidos uns sobre os outros a formar um círculo.

“Eu não posso subir porque estou esperando criança, mas você aí pode!”. Apontou o tururi trançado para a melhor amiga. A melhor amiga, ágil, também rápida de pensamento, encaixou a... a...

“Como é o nome disso, Iasawi?”, coçou a cabeça a amiga.

“Peko’in”.

“Peconha?”.

“Isso”.

A melhor amiga de Iasawi trançou a peconha nos pés, tentou a primeira, a segunda e na terceira vez escalou para o alto das estipes. Pegou um grande cacho, cujos frutos caiam nas cabeças das demais lá embaixo, arrancando risadas.

“E agora?”.

Olharam umas para as outras.

“Não sei. Bora roer”.

“Caramba, difícil de mastigar”.

“E se a gente colocar na água? Será que amolece??”.

Os homens chegaram.

“Rápido, esconde, esconde”.

Disfarçar suas habilidades conquistadas era para as mulheres locais algo corriqueiro. Elas não podiam mostrar sua capacidade de transformação. Aliás, sabendo um pouco da vida de Elionai Pataxó, melhor compreendo que nossa civilização é injusta e que uma mudança de Era é inevitável. Segundo Elionai, “Nós éramos oprimidas pelos homens. Nos sentíamos presas, obrigadas a cuidar da roça, da alimentação, dos filhos. Hoje nós, mulheres, conseguimos abranger outras áreas. Eu tenho como um grande exemplo a minha cacique Arian Pataxó, que fundou a Aldeia Dois Irmãos e luta por melhorias para nossa Aldeia. Eu acho que tudo isso é um grande avanço, pois antigamente não tínhamos este olhar. Hoje somos mais valorizadas, pois sabemos nossos direitos...[4]”. Decisivamente isso trinca o vidro do patriarcado.

As mulheres companheiras combinaram para voltarem antes do nascimento da criança de Iasawi. Só que após mais uma desavença entre pai e filha que não suportara ver outra criança abandonada pela sua comunidade, Iasawi passou mal e recebeu as fortes dores do parto antes do previsto pelas parteiras.

E naquela noite, nasceu sua menina, linda menina de seus olhos, num choro que rebentou a noite enluarada. No carinho em sua cabecinha, a mãe pensava ainda em que nome dar para a pequena quando os homens, incluindo seu pai, se aproximaram dela para levar a criança e aplicar a lei do abandono.  

“NÃOOOO! NÃOOOOO”.

Iasawi lutou bravamente com aqueles homens, mesmo quase desfalecida do parto. Protegeu a criancinha. Segurou-a forte, tão forte, tão forte para proteger sua menina que não viu que a tinha sufocado.

O velho pajé desta vez não estava impassível. Corriam-lhe os prantos. Porém, nada fez.

Todas as mulheres da aldeia cercaram os homens. Pela primeira vez perceberam que elas eram maioria e sentiram a pressão de um medo a lhes subir nas espinhas.

Iasawi num dos choros mais tristes que a espécie humana já viu, caminhou tendo nos braços o pequenino corpo até as palmeiras. Levantou o pequeno ser em direção aos ramos iluminados da lua cheia e dançantes ao vento e gritou:

“Reviva ela! Reviva! REVIVAAAA!!!”.

Nenhum sinal. Só balançavam as palmeiras.

Os homens se aproximaram para trazê-la de volta. O velho cacique ordenou:

“Deixem. Deixem ela aí quieta. Para os demais, voltemos!”.

As mulheres não puderam ficar. Foram forçadas a sair. Ninguém dormiu. Nem as mulheres. Nem os jovens. Nem as crianças crescidas. Nem o velho pai, soluçante em sua rede de um arrependimento com gosto de fel na boca.

Todos olhavam em direção às palmeiras onde no chão daquelas touceiras se abraçava Iasawi.

Quando amanheceu, a jovem mãe estava morta. Todos da comunidade sentiram que o céu pesou em cores sepulcrais. Ao verificarem a mão de Iasawi, foram encontrados frutos daquela palmeira que defendia.

Feitas as cerimônias fúnebres, a aldeia caminhou.

As mulheres cabisbaixas por tristeza, mas sobretudo por estratégia, traziam em seus diversos sacos de tururis feitas pela grande Iasawi muitos daqueles frutos preto-arroxeados. Iam jogando pelo percurso, pois certamente, no círculo de moradas que faziam, quando voltassem, talvez as palmeiras estivessem crescidas.

Quando o velho cacique morreu, um novo líder foi escolhido, o jovem irmão da melhor amiga de Iasawi que sempre a admirara. Na dor que presenciou e na saudade da amiga, aprendera a escutar com bastante atenção e respeito as mulheres da sua comunidade. Certo dia, sua irmã ofereceu-lhe uma surpresa numa cumbuca.

“Prova”.

“O que é isso??”.

“Prova, confia”.

O jovem cacique provou.

“Hummm, é bom. Foi tu que fizeste?”.

“Nós, mulheres. Nós amassamos na mão”.

“Como é o nome disso?”.

Não tinha pensado num nome. Um raio de lembrança trouxe Iasawi. Pensou ao contrário.

“É... É... Iwasa’i”.

“Açaí???”.

“Isso. Açaí. Você pode comer com peixe e farinha se tu quiseres”.


Desde então, Açaí tem alimentado e nutrido gerações e gerações na Amazônia. O açaí oferece até hoje condições de dignidade em algumas localidades do estuário amazônico[8].

A partir de agora, fico a sonhar com a origem desde santo vinho, imaginar a luta e a clarividência de Iasawi (Iaçá).

Constato que, mais do que dinheiro, açaí é cuidado.

Concluo que, mais do que negócios comerciais, açaí é uma relação.


E filho destas paragens, deste carinho todo que me nutriu, e de uma mulher cuja imagem bem poderia ser a de Iasawi, eu testemunho: 

Açaí é uma mãe-planta que lidera.    






Belém, dias de luta e de aprendizado, 13 de junho de 2020.

Pantoja Ramos.







[1] Ensaio elaborado para descrever a importância do açaí para enfrentar a fome no estuário do rio Amazonas e confrontar o processo de invisibilização social que muitas mulheres sofrem.
[2] Lugar de Fala é o conceito construído por Djamila Ribeiro onde temas que envolvem crimes humanitários como racismo e misoginia, por exemplo, devem ser amplamente debatidos pela sociedade, entendendo-se os grupos diretamente afetados, indiretamente afetados ou mesmo não afetados falarão de lugares distintos. Ribeiro, D. O que é Lugar de Fala? (Ribeiro, 2017). Por isso, o que escrevo desde então é limitado por ser indiretamente ou muitas vezes não afetado. Minha intenção é iniciar a discussão, sobretudo para os homens que queiram juntamente comigo aprender com as mulheres e ajudar a melhorar o mundo em que vivemos.
[3] Shiva, V. Vandana Shiva aposta no Ecofeminismo. 2018. Outras Palavras. https://outraspalavras.net/sem-categoria/vandana-shiva-aposta-no-ecofeminismo/. Acessado em 7 de junho de 2020.
[4] THIDÉWÁ. Pelas Mulheres Indígenas. 2015. Coleção Índios na Visão de Índios. Disponível em http://www.thydewa.org/wp-content/uploads/2015/03/pelas-mulheres-indigenas-web.pdf. Acessado em 13 de junho de 2020. 
[5] Euler, A.; Faulhaber, A.; Moreira, C. Mulheres À Frente: Caminhos para a Visibilidade da Agenda Indígena no Brasil. 2020. Columbia Women’s Leadership Network In Brazil. https://globalcenters.columbia.edu/sites/default/files/content/CWLN-2019.pdf. Acessado em 7 de junho de 2020.
[6] Em Tempo. Saiba Mais Sobre o Açaí, o Superalimento da Amazônia. 2018. Disponível em https://d.emtempo.com.br/saude/103832/saiba-mais-sobre-o-acai-o-superalimento-da-amazonia. Acessado em 7 de junho de 2020.
[7] UNICEF. Não permitam que crianças sejam as vítimas ocultas da pandemia de Covid-19. Declaração de Henrietta Fore, diretora executiva da UNICEF. 2020. https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/nao-permitam-que-criancas-sejam-vitimas-ocultas-da-pandemia-de-covid-19. Acessado em 7 de junho de 2020.
[8] Ver o artigo de Ramos, C.A.P e Euler. A.M.C. Quarta baliza do agroextrativismo no estuário do rio Amazonas: da luta pela terra à consolidação da economia do açaí. 2019. Revista de Agricultura Familiar - RAF. v.13 , nº 2 / jul-dez 2019, ISSN 1414-0810. Disponível em https://periodicos.ufpa.br/index.php/agriculturafamiliar/article/view/8718. Acessado em 7 de junho de 2020.