terça-feira, 14 de janeiro de 2014
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Marajongada
Caríssimos,
Humildemente apresento Marajongada, o segundo
de sete contos que faz parte do futuro livro ATO DOS RIBEIROS. Inspirado na
obra Jangada de Pedra, de José Saramago, a quem espero chegar um dia a um
décimo de sua capacidade de percepção sobre o mundo, o texto narra a
fantasiosa viagem do arquipélago do Marajó para fora do Brasil em busca de
direitos. No enredo, apresenta-se o sentimento dos personagens ante a incrível
navegação em águas desconhecidas, ao mesmo tempo em que retrata a opinião de
cada um sobre sua realidade marajoara.
E assim vou testando minhas dúvidas, colocando-as no papel.
Um abraço
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
O lago Acuti-pereira
Saberes da Terra, Portel, 13 de dezembro de 2013.
A garça com seu bico bateu no galho
Alvorada fim de maio
Inverno não tão forte
Orquestra lago norte
E a passarada chegou de lá de cá
As passarinhas cores se aplumaram
Esticaram bicos e testaram
O passo que alonga
As asas quantas conta
Aquecidas no sol para bailar
E o quiquió enxerido
FIU-FIU para a rolinha!
E o quiquió vidrado
FIU-FIU para a andorinha!
E o quiquió ousado
FIU-FIU pra ciganinha!
E o quiquió tão encantado!
E o galante orgulhoso
BEM-TE-VI siririzinha!
E o sedutor insiste
BEM-TE-VI pra coroquinha!
E o cortejo ensaia
BEM-TE-VI maria-bestinha!
Do voador que é bem amado.
Piriquitinhas no movimento
Faziam círculos no vento
Tão rente aquele ramo
Tão parte de seus planos
Cai cai frutinha de açaí
Japiins
Rodando
Voando
Pousando
Garça
Regendo
Sabendo
Enredo
Mutum desliza, Pitilique pula, Juruti rodopia, Jacu pirueta,
Tucana imita
Tal qual uma seta
Ariramba
Tão bamba
Meio valsa
Meio samba
Pipira
Ó Lira
Que gira
Envira
Nambu saltita, Pavãozinho roda, Cujubim desfila, Socó perneia
Gavião que dança
No ar se lança
Maracanã encolhida fica no meio
Rodeada de marrecas que em cheio
Jogavam as palhinhas
Baixavam quietinhas
Para o aplauso da plateia alada
Os papagaios gritando descem a cortina
Pro fim da dança das meninas
Azul escurecendo
O palco acabou sendo
O lago Acuti-pereira
A garça com seu bico bateu no galho
Alvorada fim de maio
Inverno não tão forte
Orquestra lago norte
E a passarada chegou de lá de cá
As passarinhas cores se aplumaram
Esticaram bicos e testaram
O passo que alonga
As asas quantas conta
Aquecidas no sol para bailar
E o quiquió enxerido
FIU-FIU para a rolinha!
E o quiquió vidrado
FIU-FIU para a andorinha!
E o quiquió ousado
FIU-FIU pra ciganinha!
E o quiquió tão encantado!
E o galante orgulhoso
BEM-TE-VI siririzinha!
E o sedutor insiste
BEM-TE-VI pra coroquinha!
E o cortejo ensaia
BEM-TE-VI maria-bestinha!
Do voador que é bem amado.
Piriquitinhas no movimento
Faziam círculos no vento
Tão rente aquele ramo
Tão parte de seus planos
Cai cai frutinha de açaí
Japiins
Rodando
Voando
Pousando
Garça
Regendo
Sabendo
Enredo
Mutum desliza, Pitilique pula, Juruti rodopia, Jacu pirueta,
Tucana imita
Tal qual uma seta
Ariramba
Tão bamba
Meio valsa
Meio samba
Pipira
Ó Lira
Que gira
Envira
Nambu saltita, Pavãozinho roda, Cujubim desfila, Socó perneia
Gavião que dança
No ar se lança
Maracanã encolhida fica no meio
Rodeada de marrecas que em cheio
Jogavam as palhinhas
Baixavam quietinhas
Para o aplauso da plateia alada
Os papagaios gritando descem a cortina
Pro fim da dança das meninas
Azul escurecendo
O palco acabou sendo
O lago Acuti-pereira
Pantoja Ramos
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Extrativista, Quanto Vale a Floresta?
Caiu mais uma árvore de angelim vermelho. E o preço dela pago na hora
pelo madeireiro foi de 50 reais a árvore. Para o velho piquiá, pagou-se não mais que 30 reais. E se pergunta ao
extrativista, ao amazônida, ao brasileiro: quanto vale a floresta?
Se pararmos
pra pensar um pouco, tal qual na parábola dos talentos, a sociedade brasileira
tem algo valioso que não sabe cuidar. Talvez a maior pobreza da nação seja não
reconhecer a riqueza que temos, esvaindo-se ela em balsas de toras que somem
pelo rio, levando tudo, não deixando nada.
E como
pode um angelim de 10 metros cúbicos de volume ser vendido a 50 reais?!
Oficialmente, pelas normas do Pará, seu valor é no mínimo de R$51,12 o metro
cúbico da árvore em pé. Ou seja, ao menos R$511,20 vale este indivíduo,
patrimônio da floresta pública. Se explorado e transportado, vá lá, perdendo
30% de seu volume e passando a 7 metros cúbicos aproveitáveis, com valor em
tora de R$170,00 o metro cúbico, o valor da árvore exemplo passa a ser de
R$1.190,00.
Contra
os 50 reais
arrematados pelo madeireiro.
Ao considerar que 40% se perde no
beneficiamento (passando de 7 metros cúbicos em tora para cerca de 4 m3 de madeira processada), a um valor de R$ 600 pago pelo mercado pelo metro cúbico serrado, a mesma árvore de
angelim chega ao consumidor a um preço de R$2.400,00.
Contra
os 50 reais comprados na informalidade
e na falta de informação.
Agora, multipliquem esta situação às
inúmeras retiradas de madeiras clandestinas em nossa Amazônia. São milhões e
milhões de reais furtados dos cidadãos amazônicos por ganância de uns em
detrimento de milhares de famílias agroextrativistas. Imagine-se o quanto se
perde no avanço do desmatamento. Não se trata apenas de crime ambiental: é
crime socioambiental por tirar economia da geração vindoura.
Entretanto, há esperança como sempre no amanhecer
do dia. Gente que reconhece, por exemplo, que é melhor investir em frutos de
açaí do que decepar palmito sem planejar o futuro. Que faz a conta das mais
simples: se um açaizal tem 600 touceiras em 1 hectare, com 2 estipes produtivos
no mínimo a produzir cada um meia lata de frutos, recebe ao final a vitória de
ter 600 latas por hectare. Disseram-me que no rio Canaticu, Curralinho, em 2011, a média de preços da lata foi de
R$10,00. Ora, nada mal termos 6 mil reais por hectare com a valorização de
frutos do açaí!
E se
cuidássemos da copaíba? Pois seu Pacatuba, lá do Moju, me diz que
encontra do tipo vermelha que produz fácil 15 litros de óleo. Se o litro é
vendido a 60 reais nos mercados, é mais viável derrubar copaíba pela madeira ou
aproveitar o seu medicinal óleo? Neste exemplo, são R$900,00 de três em três
anos que se pode ter.
Com toda esta possibilidade, não
deveriam existir famílias com apenas uma só parede a proteger do frio
amazônico. As inúmeras reservas extrativistas, assentamentos agroextrativistas
e territórios quilombolas poderiam (aplicando manejo florestal) suprir a
necessidade de casas. Então porque não pensar em um Programa de Aquisição de
Madeira Manejada para os planos governamentais de habitação rural? Áreas de
manejo não faltariam, com certeza. E uma nova forma de renda surgiria.
Mas todas
as comparações acima mencionam preço. No entanto, qual o valor da floresta?
Quanto vale o clima saudável de uma mata, a escorrer os rios passando pela
nossa lembrança de infância? Tem preço a receita da avó nossa servindo piquiá cozido? Quão monetário deve merecer a árvore que convida os
bichos ao banquete de suas sementes e frutos?
Diante do aumento do desmatamento
e da escalada da extração ilegal de madeira, é moralmente necessário cuidar da
floresta e pensá-la como algo sem preço e sim com apreço e valor.
É pra ontem essa urgência, pois o hoje
nos preocupa o amanhã.
Pantoja Ramos, 27 de
novembro de 2013
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Casa Familiar de Gurupá: 12 anos de história
Gurupá, 17 de novembro de 2013.
Quando viajo e vejo as dificuldades do Estado Brasileiro e do capital em entender o quão é importante conservar nossas florestas, me vêm sempre à mente dois pequenos focos de resistência em meio aos inúmeros focos de calor e às incontáveis árvores derrubadas sem planejamento: o centro de treinamento em manejo florestal do Instituto Floresta Tropical e a Casa Familiar Rural de Gurupá.
O primeiro exemplo apresenta uma ilha de manejo florestal em meio a tanta destruição e degradação socioambiental causada pela ganância dos homens. E apesar de tantos planos de manejo licenciados que não fazem jus ao manejo, mesmo com a não observância do que o manejo preconiza; ainda com a falta de um simples cuidado das empresas em cortar os cipós de uma árvore inventariada um ano antes do corte para não derrubar outras, permanece o IFT na corajosa e árdua tarefa de capacitar pessoas para um efetivo manejo da floresta. Sem saber se um dia será cobrado o mínimo que deveria ser exigido, eu ainda acredito no manejo florestal.
Em outro lugar, no rio Uruaí, em Gurupá, convivi com outra categoria de resistência: a da educação agroextrativista de fato. Lá se vai 12 anos de história na busca por uma educação sincera com a realidade ligada ao peixe, à peconha, ao matapi, à mandioca e à comunidade, o sentimento verdadeiro de comunidade. Um saber da construção em vez da competição, do dialogar em vez do ensinar, da reflexão do agro e o extrativismo e como estes se relacionam com o mundo e seus dilemas sobre consumismo, equilíbrio ambiental e bem estar social.
E não tem sido fácil manter a CFR. E dá pra entender os motivos da falta de apoio e não reconhecimento deste método de ensino em território paraense nestes anos. Como um sistema voltado para uma educação mercantilista poderia permitir que houvesse a reprodução em escala geométrica de pessoas com olhar do todo, críticas de seu tempo e de sua história? 300 estudantes que possam pensar em engenharia de processos vindos do meio rural, tão jovens a discutir? Não dizem abertamente os imperadores, mas acham um absurdo a clarividência juvenil.
O que mais me impressiona na CFR é a sua capacidade de estar sempre incomodada e fazer as lideranças de mais idade se mexerem na cadeira. E é bom que isso aconteça. Alerta aos vividos que acomodar-se é antecipar a aposentadoria, o que não desejam por sua militância na veia. E o que mais me surpreende nos alunos e ex-alunos é o profundo respeito pelos históricos líderes. Por mais que um jovem da CFR tenha obtido vitórias terras afora, permanece a consideração por seus mestres. Assim temos algo circular de apreço.
Muitas escolas por aí tem o preço da mensalidade.
Pouquíssimas tem verdadeiramente valor.
Pantoja Ramos
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Quilombolas e Agroextrativistas de Santarém/PA entregam Carta de reivindicações ao Superintendente Regional do INCRA
Na última quinta-feira (7), lideranças quilombolas e
agroextrativistas de Santarém/PA apresentaram uma carta de demandas das
comunidades a representantes do INCRA, entre eles o Superintendente Regional do
INCRA, Luiz Barcellar. As comunidades exigem a atuação do INCRA na efetivação
dos direitos dos povos tradicionais de Santarém, especialmente no que diz
respeito à regularização fundiária e titulação dos territórios.
A demora
para titular os territórios já dura décadas e dificulta a garantia da terra e
dos modos de vida das comunidades. A indefinição sobre a regularização também
resulta em problemas de infraestrutura para o escoamento da produção agrícola e
em conflito com latifundiários e empresas de exploração dos recursos naturais.
Nenhuma
das 11 comunidades quilombolas de Santarém que aguardam titulação pelo INCRA
foram atendidas. Segundo o órgão, não existem técnicos suficientes para o
trabalho de identificação, nem mesmo aplicação de verba pública para suprir
essas demandas.
As
organizações presentes na reunião firmaram conjuntamente a pauta o compromisso
de retornar às discussões, especialmente para acelerar a realização do Cadastro
Ambiental Rural (CAR) e da emissão da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) às
famílias quilombolas e agroextrativistas.
Participaram
da reunião integrantes da Federação das Organizações Quilombolas de Santarém
(FOQS), da Organização das Associações da Reserva Extrativista Tapajós –
Arapiuns (TAPAJOARA), a Federação das Associações de Moradores e Comunidades do
Assentamento Agroextrativista da Gleba Lago Grande (FEAGLE) e da Terra de
Direitos.
Leia a
carta:
Carta das comunidades quilombolas e agroextrativistas de
Santarém
Nossa
região do Baixo Amazonas está sendo cercada de grandes empreendimentos em prol
de um modelo de desenvolvimento para o Brasil. Nós, porém, nunca fomos
consultados se queríamos ou não esses grandes empreendimentos em nossa região.
Nós, que somos comunidades tradicionais amazônicas nunca fomos consultados
sobre hidrelétrica, madeireira ou mineradora que vêm explorar os recursos
naturais.
Em
defesa do nosso direito de sermos consultados, nos manifestamos para que o
Estado brasileiro ou qualquer empresa reconheça que somos sujeitos de direitos
e que queremos nossa Amazônia protegida de qualquer devastação.
Além
disso, ainda hoje lutamos por nossos territórios. No Projeto de Assentamento
Extrativista (PAE) Lago Grande a regularização fundiária da área não foi
concluída. Às famílias assentadas são negados crédito, apoio e habitação,
projetos de produção, assistência técnica e ainda são cobradas para apresentar
o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e Declaração de Aptidão ao PRONAF (DAP) sem as
mínimas condições de acessá-los.
Os
moradores da Resex Tapajós-Arapiuns também estão sem crédito habitação, sem
apoio para estradas e transporte da produção, sem energia elétrica (Projeto luz
para todos) e o mapeamento da área não foi consolidado pelo ICMBio, nem mesmo
seu Plano de Manejo.
Nenhum
território quilombola foi titulado em Santarém. São mais de 11 comunidades que
aguardam os procedimentos do INCRA que estão parados seja em Santarém ou em
Brasília. Não existem técnicos suficientes para o trabalho de identificação,
nem mesmo aplicação de verba pública para suprir essas demandas.
Diante
desse desrespeito aos direitos das comunidades tradicionais é que exigimos do
Estado, em especial do INCRA e do ICMBio, o cumprimento de suas obrigações para
garantia dos territórios e dos modos de vida dos agroextrativistas e
quilombolas de Santarém.
Santarém, Pará, 18 de outubro de 2013.
1. STTR
– Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais de Santarém
2. FOQS
– Federação das Organizações Quilombolas de Santarém
3.
TAPAJOARA- Organização das Associações da Reserva Extrativista
Tapajós – Arapiuns
4. FEAGLE
– Federação das Associações de Moradores e Comunidades do Assentamento
Agroextrativista da Gleba Lago Grande
5. Terra
de Direitos – Organização de Direitos Humanos
domingo, 3 de novembro de 2013
Palmerês
Estreito de Breves, 31 de outubro de 2013.
Paxiúba tucumã mumbaca inajá
Juçara pupunha bacaba marajá
Caranã urucuri bussu mucajá
Babaçu murumuru miriti jareuá
Jupati açaí miriti
Açaí urucuri jupati
Miriti urucuri ubim
Açaí açaí açaí
Patauá caranã bussu jupati
Inajá miriti juçara urucuri
Mucajá Jareuá babaçu miriti
Marajá macaúba tucumã ubim
Babaçu bussu murumuru
Murumuru babaçu bussu
Bussu murumuru babaçu
Bussu bussu bussu
Marajá miriti bacaba
Inajá açaí mumbaca
Jupati urucuri jareuá
Patauá patauá patauá
Pindorama
Pantoja Ramos
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