terça-feira, 22 de setembro de 2015

CRÔNICAS DO CORTE - Matemática Ribeira/ Parte 1

Belém, 15 de setembro de 2015.


Em agosto fui ao município de Chaves, no Marajó, por conta de trabalhos relacionados à elaboração de planos de uso dos recursos naturais para comunidades locais. Um instrumento de bom uso da mata, dos rios e de convivência entre vizinhos, que ensina muito àqueles que assessoram as famílias neste debate. Afinal, não se pode opinar tecnicamente sem vivenciar o dia a dia do agroextrativista. No caso de meu aprendizado, tive que admitir que nossa  educação é excludente, errada em sua estratégia em consolidar a figura de cidadãos de fato, de Ribeiros, não mais ribeirinhos, pois diminutivos não somos, nem nunca fomos, só nos apelidam na grande maioria das vezes os de fora. Sei que não é nada de novo, mas incomodou-me o estático da ciência. Deparei-me com o não conhecimento de um trabalhador rural de Chaves em como calcular madeira em metragem cúbica ali de sua serraria, tal qual verificava em Gurupá, no início dos anos 2000. Como deveria saber este senhor sobre a forma de comercialização de madeira processada mundo afora! Como fica este à margem em relação aos que muito ganham!  Na soma de argumentos sobre tal estado, resolvi lançar três historietas matemáticas para avaliar nossa formação escolar, no afunilamento de questões florestais madeireiras como estudo de caso.


O primeiro caso que aqui exponho foi a compra durante muitos anos de madeira da espécie ucuúba (ou virola) por uma empresa japonesa em região gurupaense. Um dia me foi perguntado por uma liderança, seu Codó: “Carlos, o que é o volume Francão??”. “Volume Francon”. “É, este mesmo.”. “porque a firma que compra madeira da gente só paga desse jeito, no Francão”. Na tentativa besta de ser o mais didático que pudesse ser, expliquei que: “imagine uma tora de madeira, roliça. Quando medido seu volume, digo que é volume real de uma tora, considerando o que de fato ela é”.


Volume Real


Codó concordou com a lógica e assim continuei: “imagine agora que esta tora de madeira, roliça, seja cortada onde se aproveitasse a grande parte quadrada (na intenção minha de fazer-me entender), retirando as costaneiras, assim ó...”:


Volume Francon


“Este é o Volume Francon”. Codó passou a mão na barba branca e pediu que eu repetisse tal explicação após o culto de domingo. Apresentei o raciocínio à comunidade, e na expressão de seus olhares, captei o incômodo geral. “Vocês vendem virola pra quem?”. “Para a firma japonesa que vem lá de Breves”, responderam. “Pra quê ela precisa de virola??”. “Pra fazer compensado, né?!!”. “Como a máquina que faz compensado trabalha??”. “Laminando!”. “A Máquina corta??”. “Não, a máquina desfia!”. Foi assim que definiram a laminação de madeira para compensado.

“Fiuuuuuu”.

O assobio solitário de um dos presentes ressoando no salão foi o sinal de mentes trabalhando. Desenhei com o dedo no ar para bater de carrão de sena. “Como a firma compra de vocês?”. Fiz a misura:


  


  
“Como a máquina desfia?”. Continuei na misura:


  
“Como a firma paga vocês??”. Uma das lideranças desenhou no ar:







   
“Égua! Tão roubando a gente faz tempo!!!!”.


A partir de então exigiram que o japonês que visitava a vila pagasse o volume real e não mais o tal volume “Francão”, pra surpresa do comprador após tantos anos. Mas o que a educação básica tem a ver com isso? Simples. Geometria. Básica geometria que poderia ser bem ensinada na escola. Ah, ia esquecendo, Codó e sua comunidade passaram a calcular volume de toras assim:

VOLUME REAL DA TORA = CIRCUNFERÊNCIA (metros) X CIRCUNFERÊNCIA (metros) X COMPRIMENTO (metros) ÷ 12,56.

Tudo isto para chegar mais próximo da verdade para os Ribeiros...



(Continua...).



sábado, 12 de setembro de 2015

Cachimbo da Floresta: alternativa aos tubetes industriais para o reflorestamento

Foto: Kagroti Kayapó

Kagroti Kayapó
Indígena Kayapó da Aldeia Baú/ Kagroti Kayapó/ Liderança Indígena e Técnico Florestal


Milhares de brasileiros estão em busca de desenvolver atividades sustentáveis, iniciativas responsáveis que melhorem a qualidade de vida social ao mesmo tempo garantam sustentabilidade ambiental. 

Entre as diversas formas, é recomendado o uso de algumas matérias orgânicas da própria natureza como adubo para melhorar os cultivos sem poluir o meio ambiente. Em nossa experiência, destacamos o uso da fruta de Tauarir como Tubetes Ecológicos, conhecidos também pelos índios Kayapó como “Cachimbo da Floresta”, essenciais para germinação de sementes e produção de mudas. 

Foto: Kagroti Kayapó



O “Cachimbo da Floresta” é um produto originário da espécie de árvores Tauarir, extremamente rico em matéria orgânica, normalmente encontrada na região Amazônica. O Tauarir é uma espécie de arvore nativo, de porte alto, em bioma Amazônico, que produz frutos uma vez ao ano. O "Cachimbo da Floresta" é utilizado no lugar de saquinhos plásticos e tubetes sintéticos para germinação e produção de mudas de qualquer espécies de plantas, no incentivo ao desenvolvimento de atividades sem agrotóxico. 

O produto apresenta grande sustentabilidade ecológica, tendo em vista que uma vez utilizado, fertiliza o solo e facilita à mão de obra do empreendimento por sua constituição orgânica que se decompõe facilmente ao solo. 

Para saber mais, entre em contato com Kagroti Kayapó;  Tec.Florestal;   Cel:(93)984153532.




terça-feira, 8 de setembro de 2015

Dúvidas das comunidades de Caxiuanã sobre a Concessão Florestal

Caríssimos,

Nos últimos tempos tenho recebido informações referentes ao processo de concessão florestal na Floresta Nacional de Caxiuanã, cujo edital está disponível no site do Serviço Florestal Brasileiro  (http://www.florestal.gov.br/concessoes-florestais/proximas-concessoes/edital-de-licitacao-para-concessao-florestal-na-flona-de-caxiuana) . Particularmente não tenho colaborado nesta discussão, uma vez que prefiro o debate do ordenamento territorial, fase inicial decisiva para que todos tenham paz para trabalhar, concessionários e sobretudo comunidades tradicionais da região de influência da concessão. Com o Plano de Manejo da Flona finalizado, não vi como ajudar naquele instante do pré-edital.

Ainda assim, pensando nos processos de formalização, percebi uma grande lacuna nestes trabalhos pelo não cumprimento na íntegra do artigo 6º da Lei 11.284 de Gestão de Florestas Públicas, “...Antes da realização das concessões florestais, as florestas públicas ocupadas ou utilizadas por comunidades locais serão identificadas para a destinação, pelos órgãos competentes, por meio de:
I - criação de reservas extrativistas e reservas de desenvolvimento sustentável, observados os requisitos previstos da Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000; II - concessão de uso, por meio de projetos de assentamento florestal, de desenvolvimento sustentável, agroextrativistas ou outros similares, nos termos do art. 189 da Constituição Federal e das diretrizes do Programa Nacional de Reforma Agrária; III - outras formas previstas em lei...”. Neste último quesito, interpreto (e gostaria de ser corrigido se estiver enganado) que as comunidades locais deveriam ter Contratos de Concessão de Direito Real de Uso, o que me leva a indagar: é justo que empresas que chegarão em poucos meses assinem contratos de concessão que assim permitirão suas atividades, quando famílias que estão ali a mais de 3 gerações (a Flona foi criada nos anos 1960) até hoje não possuem reconhecimento documental de sua vida agroextrativista?

Hoje chegou em minhas mãos um documento das comunidades de Caxiuanã referente às dúvidas das famílias em relação à Concessão Florestal da Flona Caxiuanã (ver anexo). Recebi a carta como coordenador dos trabalhos de campo da Tramitty Serviços, empresa contratada pelo Serviço Florestal Brasileiro para capacitação em comercialização de produtos florestais e julgo ser uma questão de cidadania esclarecer àquelas pessoas dos processos em curso, suas vantagens, suas desvantagens, o que Portel e Melgaço (municípios que abrigam a Flona) podem ganhar em termos de arrecadação, o que é de direito.

Diante da singela mensagem vinda de Caxiuanã, é dever do Estado Brasileiro atender o pedido das comunidades para um encontro sobre o tema. Acho que deve inclusive ganhar ares de um grande seminário, de 2 dias pelo menos, explicando-se o antes, durante e depois de implantada a concessão florestal na região. Pelo que vi, as audiências públicas sobre o edital não foram (e nem seriam) suficientes. E obviamente, é fundamental informar como pode-se implantar de maneira eficiente e protagonizada verdadeiramente pelas comunidades locais o manejo florestal comunitário.

Afinal, a Política Florestal deve ser para todos: do navio de exportação à canoa  (ou rabeta) do ribeirinho...


Um forte abraço




Abaixo, a carta das comunidades de Caxiuanã:


























segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Nota Pública sobre o assassinato de Raimundo José dos Santos - A morte da floresta, a morte de todos nós



Raimundo Santos Rodrigues, conhecido como José dos Santos, é mais uma vítima da ganância dos saqueadores, da violência impune do interior do Maranhão e da ausência do Estado.

José dos Santos era Conselheiro do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na Reserva Biológica do Gurupi, último fragmento da floresta amazônica em terras maranhenses, a área mais degradada da Amazônia Brasileira. A Rebio Gurupi é circundada por 3 áreas indígenas: Alto Turiaçú, Awá e Caru, que, como a floresta, sofrem os ataques dos madeireiros.
O Conselheiro, atuante junto ao ICMBio desde 2012, foi assassinado no 25 de agosto na cidade de Bom Jardim (MA), a 275 Km de São Luís. José dos Santos estava acompanhado por sua esposa, que foi atingida por tiros e ainda se encontra no hospital.

Ao longo de todos esses anos, José tem denunciado os madeireiros e defendido sua comunidade, também em qualidade de membro do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STTR) de Bom Jardim.
O corpo do conselheiro está em Buriticupu, a 200 km de Bom Jardim, cidade onde outro membro do STTR, Raimundo Borges “Cabeça”, tem sido assassinado três anos atrás.

José dos Santos deixa a esposa ferida e seis filhos. Em nota pública, o presidente do ICMBio, Claudio Maretti, definiu o acontecido como “um ataque covarde”. Outros conselheiros do ICMBio daquela região, em especial Maria da Luz, Maria do Socorro e Alaíde Abreu da Silva, temem por sua própria segurança.

As comarcas de Buriticupu e de Bom Jardim frequentemente são consideradas pela população como “Terras sem lei”, onde o Estado está particularmente ausente, as instituições de defesa dos direitos coletivos são extremamente fragilizadas e a violência dita a lei do mais forte.

Nós, entidades de defesa dos direitos humanos, movimentos populares, organizações religiosas, instituições eclesiais, sindicatos, jornalistas, membros de redes e organizações atuantes em nível local, nacional e internacional, expressamos nossa solidariedade para com a família de José dos Santos, indignação pela violência sem fim que está destruindo pessoas e territórios nessa região do Maranhão e imediatas reivindicações nos seguintes sentidos:

- que a morte de José dos Santos, de Raimundo Borges e de vários outras vítimas nos municípios de Bom Jardim e Buriticupu (MA) não passem impunes; que haja investigações acuradas, identificação e punição dos assassinos e seus mandantes;

- que o Estado garanta proteção permanente às comunidades e aos defensores de direitos humanos nessa região;

- que as operações em defesa da Rebio e das terras indígenas dessa região erradiquem eficaz e definitivamente o saque de madeira e punam os empresários e políticos que se enriquecem ilegalmente através disso;

- que o Estado Brasileiro e o Governo do Maranhão reforcem as forças de segurança e as instituições de acesso à justiça nos municípios de Bom Jardim e de Buriticupu;

- que o Estado Brasileiro e o Governo do Maranhão invistam, a partir do discernimento com a população local e de mecanismos de gestão participativa, para a promoção de atividades de geração de renda alternativas ao saque e comércio de madeira.


A morte de um companheiro que lutou por justiça e a morte da floresta são a morte de todas e todos nós! Queremos viver, queremos justiça e dignidade!


28 de agosto de 2015

Assinam:

Rede Justiça nos Trilhos
Missionários Combonianos do Brasil
Fórum de Políticas Públicas de Buriticupu

(podemos coletar assinaturas de entidades através de diversas redes no Brasil e afora)


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Carta sobre a Economia & Autonomia

          

Rio Ubussutuba, Chaves, Marajó, 18 de agosto de 2015.

Caros Teofro e Miguel,
Caríssimas Wanderléa, Loyanne e Marília,

Economia e Autonomia, será que alcançaremos pleno voo de brigadeiro?


Em 2015, tenho cada vez mais certeza que sim. De uma oração subordinada subjulgada até o fim do século XX, evoluiu meu surreal português para uma oração coordenada imperativa de mudanças na esquecida agenda 21. Das tentativas iniciais das comunidades Santo Ezequiel Moreno (Rio Acuti-pereira, Portel) e Boa Esperança (Rio Canaticu, Curralinho), hoje em franco amadurecimento, percebo o espalhar da ideia, o descobrimento da América no semblante de lideranças de Chaves. Uma simples palestra-testemunho do que vocês fazem e pronto: mais exemplos de fundos florestais comunitários a partir do açaí.


Marajatuba e Ubussutuba, em Chaves, possuem suas respectivas comunidades: Bom Jesus e Nossa Senhora de Nazaré nos primeiros resultados de Fundo Açaí. Impressionante o tempo de resposta em apenas 3 meses. De uma informal conversa de grupo. Destacável como interligaram organização, economia e autonomia de projetos.


Hoje entendo o valor das enciclopédias que passaram por mim. Cai a ficha cotidianamente sobre o que aprendi com os personagens da história, um inventor, um libertador, um filósofo. Em comum, a sede pelo resultado de sua ciência. Por conseguinte o altruísmo. Caso contrário, não é humanista. Caso contrário, não é cientista. Centenas de milhares são pesquisadores, poucos humanistas e cientistas de fato.


E digo homens de ciência Teofro Lacerda e Miguel Baratinha pelo Fundo Florestal Comunitário, o bom cheiro dos verdadeiros Pagamentos por Serviços Ambientais. Achei que fosse uma lenda.
E felicito Loyanne, Wanderléa e Marília por consolidarem em mim o termo de defesa do manejo florestal comunitário: Economia com Autonomia.


Sim, porque grandes economias globais não necessariamente fortalecem as capacidades individuais e coletivas quanto à sua soberania. Se eu sempre dependo, sempre alguém quer se aproveitar de mim. Não é a anarquia geral apregoada que se pode desconfiar, só o respeito mútuo de que cada um pode ganhar de maneira justa com o outro.


Quando me falaram que não houve só um inventor da televisão e sim um processo, não entendia. Contudo, com todo este movimento de poupança coletiva, de economia solidária mesmo que não apelidada pelos locais com esta denominação, é visível a reação, o posicionamento e a produção, o tranquilo aproveitar do fundiário conquistado, a hora e a vez do caboclo marajoara!


Oxalá! Em-Nome-do-Pai-do-Filho-e-do-Espírito-Santo-Amém...


Nada científico este final, mas é bom ter fé.


Aos mestres, escrevi.

http://www.recantodasletras.com.br/cartas/5354508

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

CRÔNICAS DO CORTE - Otaviano

(Imagem: Record)


Belém, 13 de agosto de 2015.


Às cinco horas da manhã estávamos em Ulianópolis, num frio de madrugada e secura da poeira. Nossa equipe chegava do Centro de Treinamento em Manejo Florestal do Instituto Floresta Tropical e de lá seguiria para Belém. Num susto do repente da conversa, um cidadão que não conheço chega perto de nosso veículo afirmando que Davi Resende "era tão rico e morreu como qualquer um morria". Eu respondi "Bom dia". Ali estava um homem de 39 anos (depois ele me diria a idade), sem o braço direito e tendo apenas um dedo na mão esquerda.

No seu puxar de conversa, disse que não adiantava ser tão rico e morrer um dia como qualquer um, dirigiu-se novamente ao mais homem abastado então daquela cidade, já conhecido por mim pelas notícias de grilagem de terras em todo o Pará vinculadas ao nome Davi Resende. Mas não foi o grileiro que chamou minha atenção. Foi a história de Otaviano, registrado no crachá que lhe dava permissão de circular nos ônibus estaduais e interestaduais por sua situação especial. Antes de subir no veículo, comprou uma água mineral, pediu à vendedora que lhe abrisse a garrafa. Esta perguntou como se virava, se sempre pedia auxílio. "Quase nunca", disse Otaviano. "E por que me pediu?", retrucou a senhora. "De vez em quando é bom pedir". Sentenciou.

Aquele cidadão sobrevivia da venda de canetas, chaveiros e fones de ouvido. Ia para Imperatriz. Viajava para Belém. Voltava para Gurupi. "Para Gurupi, lá na divisa com o Maranhão??", perguntei. "Não, aqui, aqui se chamava antes de Gurupi. Eu só chamo assim". Não sabia deste nome para Ulianópolis. "Vou lá pra Belém e consigo tirar meu salário das canetas e volto pra cá. Moro sozinho... Nunca precisei roubar, só trabalhar".  Quando dirigi a conversa para o tempo de trabalho dele, cortou com a seguinte frase: "desde pequeno, desde a serraria, mesmo com meu acidente...".

Otaviano sofrera sua tragédia aos 11 anos de idade. Uma criança. Um sofrimento imensurável não só físico, mas da alma de uma criança, de adolescente e de adulto em uma só pessoa todos estes anos. Olhei para aquele homem franzino a fazer mil contas de cabeça a medir a viabilidade econômica de viver da caneta, do chaveiro, na habilidade de ajeitar seus molambos nos poucos suportes do corpo. Não sabe ler, nem escrever. "Nossa diferença, já que temos 39 anos, é a oportunidade que cada um teve ou não teve!", concluí.

E pensei na exploração do trabalho infantil naqueles anos 1980. E pensei no Estatuto da Criança e do Adolescente graças a Deus hoje presente. E pensei naqueles que se fizeram milionários às custas de muitos sem informação nestes municípios afora. Madeira em troca de vidas. E divaguei nas reclamações de jovens atualmente para coisas efêmeras, bobas, irrelevantes.

Presenciei o senhor Otaviano falar para uma moça a pedir uns trocados para os viajantes que por ali passavam. "Ei moça, por que tu não vende canetas? Não vende chaveiros? Num dia eu faço setenta reais mesmo assim do jeito que tô".

Na despedida nossa, recomendei que estudasse; que aprendesse a ler e escrever, pois era bom de cachola. 

"Mas é muito difícil".

"Mais difícil você já fez. Esta aí você tira de letra...".

Ele sorriu. Fez sinal de quem escrevia o compromisso.

Naquela pouca mão.

Naquele muito espírito.

sábado, 1 de agosto de 2015

Lua de Julho




Rio Pará, 31 de julho de 2015.

Lua de julho
Lua luar
Iluminou 
Meu retornar 
Finca a estrada
Neste Rio - Mar


Lua de julho 
Lua luar
Espelha o Sol 
Neste rumar 
Volta pra casa
O meu olhar


Lua de julho 
Lua luar 
A borda mata
Lhe decorar
A vida segue
Num serenar


Lua de julho
Vai acabar 
Sinto a saudade 
Me variar 
Deixa o caminho 
Pra tu marcar
A Lua espelho
Deste amar...