sábado, 3 de fevereiro de 2018
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
Oitava Marchinha
Oitava Marchinha
Afuá, 23 de janeiro de 2018.
Hoje entrevistei uma família.
6 jovens parados na oitava série.
Parados por falta de uma nova etapa de educação.
Ensino médio.
Média nota não merece os gestores em oito anos de incoerência.
De incongruência.
Deus me dê força pra que eu me indigne sem sentir raiva. Não desejo nivelar-me aos desgraçados que tomam conta da educação paraense há décadas.
Quando tu não ofertas estudos, sentencias o jovem à própria sorte.
Hoje naquela casa eu reforcei o que entendia sobre a falácia da Meritocracia.
Hoje eu pensei na educação do Pará e na mente mandei pra longe o Governador.
Hoje eu pensei que o empresário chinês é para o alto comando mais importante do que aqueles jovens da oitava série paralisados na educação.
Hoje eu quase amaldiçoei o Pará.
Mas não posso. Não seria correto. Ao faltar-me amor, cairia na armadilha da falta de humanismo e humanidade dos governantes.
A culpa não é da grande maioria dos meus conterrâneos.
Somos vítimas.
Respirar fundo e educar.
Escutar a Oitava Sinfonia de Bethoven.
Droga, relembrei da oitava.
Como sou falho, desejo a todo aquele que mata jovens rapidamente ou lentamente:
UMA MARCHINHA DE CARNAVAL!
Marchinha da Oitava
Vou ter um filho
Mesmo tão novo
Com pequeno pra cuidar
Vou enfilhar
Mesmo tão moça
Com criança pra mamar
Paro na oitava
Ensino médio que sumiu no interior
Gente parada
Que poderia ser engenheira ou dotô
Trinta por cento parindo
São as meninas seguindo
Mundo das drogas perigo
O traficante sorrindo
No ano de eleição
Com o meu voto eu presto
Mas acabando a folia
Continuo no cabresto
Ai Ai Ensino Médio
Eu sei que é bom remédio
Ai Ai a faculdade
Me ajuda a cumprir essa vontade
Ai Aí Ensino Médio
Eu sei que é bom remédio
Alô Comunidade!
Tudo unido pra mudar a realidade
domingo, 28 de janeiro de 2018
domingo, 14 de janeiro de 2018
quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
Sobre os Repasses Federais aos Marajoaras 2017: PARTE 1
"A Dona Aranha subiu
pela parede,
veio a chuva forte e a
derrubou.
Já passou a chuva, o sol já
vem subindo
e a Dona Aranha continua a
subir...".
Cantiga Popular
Carlos Augusto Ramos[1]
Ponta de Pedras, 05 de janeiro de 2018.
Caríssim@s,
O ano
de 2017 marcou para mim um momento em que o lutador percebe de onde vieram os
socos. Não que desconhecesse a luta, afinal, faz parte da profissão de
pelejador. Só que mudando-se drasticamente as regras em 2016, a partir do Golpe
Parlamentar-Jurídico-Midiático – onde o adversário passou a utilizar métodos
sujos, juízes da luta aparentemente coniventes com essa nova jogada, e uma
parte da plateia estranhamente torcendo para um patrocinador lá fora – tudo se
tornou espetáculo[2].
O lutador quase nocauteado teve em 2017 aquele lapso mágico de tempo para
entender o que estava se passando e se refazer em nova estratégia, depois de
uma teima danada consigo mesmo que as lições de antigos treinadores precisavam
ser rapidamente ajustadas.
É hora de reagir.
No
respirar fundo, sem raiva, consciente dos golpes, uma trabalhadora começa a
analisar que o lixo acumulado ao lado daquele canal poderia ser colocado numa
grande caixa tampada e não espalhado pelo chão, deleite dos urubus e dos
ratos. Que o caminhão poderia coletar
essa grande caixa tampada e levar adiante, e não todo lixo exposto ser
arrastado pela pá do trator que cobra a hora-máquina, comendo vorazmente mais
dinheiro público[3].
Dinheiro público previsto que em 2017 foi destinado em 50,66% para o pagamento de bancos privados, enquanto o saneamento
básico teria a migalha de 0,04%
deste Orçamento Geral da União (?). Nem sequer metade de 1%.
O jogo é cada vez mais compreendido.
- Em 2017 o Governo Federal repassou de seus cofres aos 16 municípios marajoaras o montante de R$ 862.350.385,63 (oitocentos e sessenta e dois milhões, trezentos e cinquenta mil, trezentos e oitenta e cinco reais e sessenta e três centavos);
- Em 2017, o IBGE (https://cidades.ibge.gov.br/) estima uma população de 548.634 (quinhentos e quarenta e oito mil, seiscentos e trinta e quatro) habitantes no Marajó;
- Assim, o investimento da União para cada marajoara no ano passado foi de R$ 1.561,01 (hum mil, quinhentos e sessenta e um reais e um centavo), o que dá mensalmente R$ 130,08 (cento e trinta reais e oito centavos) para os que vivem em MIBARAIÓ (nome original do Marajó)[4].
No esmiuçar deste processo de repasse
federal desde 2010 aos municípios como Melgaço, Curralinho, Anajás, Bagre e
Portel, fico a imaginar tamanha restrição atual de recursos, quando o problema
não é (e talvez nunca tenha sido) a carência, de fato, de recursos, e sim a
intenção de distribuí-los de maneira justa. Em 2017, o país perdoou a dívida de
25 bilhões de reais do Itaú[5], equivalente
a 25 anos em valores atuais, do que foi destinado aos rincões marajoaras!
Ademais, a falta de sapiência dos “salvadores
da pátria” (e seus mirabolantes projetos de desenvolvimento) não lê que a causa
do estrangulamento está em Brasília e quando olham a própria terra, não
concluem a origem de nossa pobreza. Portel, por exemplo, é a pura contradição
de suas riquezas: movimentação de 217 milhões de reais com madeira em tora[6] sem a arrecadação
em Imposto Sobre Serviços (que varia de 1 a 5% da nota fiscal movimentada no
transporte) à altura das necessidades do município. São 10 milhões de reais
arrecadáveis que se juntados aos 16,9 milhões de reais de Fundo Participação
dos Municípios em 2017 ajudaria no suporte para a população local.
Prefeito, vereadores e moradores do
Marajó, sinto dizer, mas somos todos precariados.
Solução? Sozinho, não tenho; juntos, teremos.
Anajás e Bagre acenderam a luz amarela em relação à
malária: sinal este que as fontes oficiais não têm mostrado à sociedade, pois
desde setembro de 2016 (ano do Golpe) os dados de monitoramento relacionados a
esta doença pararam.
A luz está amarela também para quem cava a informação: para
bisbilhoteiros como eu, digo que estamos às escuras. No país real[7], R$ 1.861,37
e R$ 1.257,57 por morador de Anajás e Bagre, respectivamente, são investidos
nas diversas áreas sociais e dar conta de enfrentar uma sempre perigosa malária[8].
Vale relembrar e lamentar a Emenda constitucional 95, que instituiu em 2017 o congelamento dos gastos públicos por longos 20 anos[9] – obra canalha, que se soma às recomendações de austeridade do Banco Mundial, incluindo a privatização das universidades públicas[10]. Num ambiente em que metade do orçamento é destinada ao mercado rentista, que se desdobra em trocar tal fonte de renda pela aposentadoria do povo brasileiro, não há como evitar a sentença: Égua! Pensa numa gente canalha...
Enquanto
isso, Melgaço – município apontado no último censo do IBGE como o de pior IDH
do país – tem sofrido queda nos repasses federais por habitante. Existe no meu bobo jeito de ver afronta maior que possa existir ao pacto federativo e à Constituição de 1988 em
seu 3º Artigo: “...Constituem
objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I –construir uma
sociedade livre, justa e solidária; II–garantir o desenvolvimento nacional; III–erradicar
a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais...”.
Achei
um pequeno dicionário jurídico em casa, no meio do material de estudo de minha
esposa. Lá achei a explicação incrível do termo “Desobediência civil”:
Seria
esta uma possibilidade diante do atual clima de ilegitimidade - revestido de
aparente legalidade?
Ah, Dona Aranha, como és inspiradora!
"Ela é teimosa e desobediente. Sobe, sobe, sobe e nunca está
contente...".
[1]
Engenheiro Florestal, Consultor Socioambiental, nascido em Portel, registrado
em Belém, criado no Jari.
[2]
Fiz rápida analogia do boxe, analítico amador que sou. Sugiro ler a visão dos
enxadristas como a de Luís Nassif - https://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-do-maior-golpe-da-historia-por-luis-nassif
[3]
Poderia duvidar do paraense Diário On
Line e sua parcialidade política dos fatos, mas o que dizer dos lixões
espalhados na capital? Não dá para negar que é preciso mudar a visão política sobre o que é real e imediato em Belém - http://www.diarioonline.com.br/noticias/para/noticia-268045-hora-de-um-novo-olhar-sobre-o-lixo-da-grande-belem.html
[4]
Nome antigo do Marajó em tupi-guarani - https://www.dicionariotupiguarani.com.br/dicionario/marajoara/
[7] Ariano
Suassuna (autor de O Auto da Compadecida
- que Deus o tenha) falava sobre a existência de 2 Brasis: o real, aquele do
cru e nu cotidiano da grande maioria dos brasileiros e o oficial, fantasioso,
das cenas, lutado pelo poder às custas da carestia brasileira. Um clube.
[8]
Consegui informações da malária em 2017 junto às lideranças locais. Verificável
em http://meioambienteacaiefarinha.blogspot.com.br/2017/10/malariometro-reage-ajude-preencher.html
[9]
Grazielle David faz uma ótima análise em http://outraspalavras.net/brasil/por-que-revogar-a-emenda-constitucional-95/.
Fiz uma breve contribuição em http://meioambienteacaiefarinha.blogspot.com.br/2017/07/a-linha-da-cobica.html.
domingo, 7 de janeiro de 2018
terça-feira, 2 de janeiro de 2018
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