sábado, 8 de setembro de 2012

LEI DO AMAZONAS PROIBINDO A DERRUBADA DA COPAÍBA - ASSINE A PETIÇÃO NO PARÁ



Caríssimos,
Transcrevo a lei do Estado do Amazonas que proíbe a derrubada de copaíba.
Por que o Estado do Pará não pode fazer o mesmo?
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DECRETO N.º 25.044, DE 1.º DE JUNHO DE 2.005.

PROÍBE o licenciamento do corte, transporte e comercialização de madeira das espécies de andirobeiras e copaibeiras e dá outras providências.


O GOVERNADOR DO ESTADO DO AMAZONAS, no exercício da competência que lhe confere o artigo 54, IV, da Constituição Estadual,

CONSIDERANDO a solidificação do Programa Zona Franca Verde nos Municípios do Estado do Amazonas, como instrumento de interiorização do desenvolvimento sustentável, combinando conservação do meio ambiente com geração de renda;

CONSIDERANDO a importância da conservação de árvores das espécies que apresentam potencial econômico para obtenção de produtos florestais não madeideiros, especialmente produção de óleos de valor econômico superior à madeira;

CONSIDERANDO o potencial das espécies de andiroba e copaíba para geração de trabalho e renda para as populações tradicionais extrativistas e indígenas, e o que mais consta do Processo n.º 3178/2.005-CASA CIVIL,

DECRETA:

Art. 1.º Fica proibido o licenciamento do corte, transporte e comercialização da madeira de andiroba “carapa guianensis”, “carapa paraense” e copaibeira “copaífera trapezifolia hayne”, “copaífera reticulata” e “copaífera multijuga”.

Art. 2.º Caberá à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – SDS, fixar normas e definir casos excepcionais de não aplicação da proibição referida no caput do artigo 1.º, bem como de material educativo.

Art. 3.º Revogadas as disposições em contrário, este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

GABINETE DO GOVERNADOR DO ESTADO DO AMAZONAS, em Manaus, 1.º de junho de 2.005.

EDUARDO BRAGA
Governador do Estado

JOSÉ ALVES PACÍFICO
Secretário de Estado Chefe da Casa Civil

VIRGÍLIO MAURÍCIO VIANA
Secretário de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

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Aproveite a assine a petição da Comunidade da Avaaz chamada: proibição da derrubada de árvores de copaíba em planos de manejo florestais madeireiros.

Clique aqui para ler mais a respeito e assine:
http://www.avaaz.org/po/petition/Proibicao_da_derrubada_de_arvores_de_copaiba_em_planos_de_manejo_florestais_madeireiros/

Campanhas como essa sempre começam pequenas, mas crescem quando pessoas como nós se envolvem -- por favor, gaste um segundo agora para ajudar assinando e passando adiante.

Um forte abraço.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Velha Pobre, Praia Verde


                                                      Almeirim, 31 de agosto de 2012


Estou deitado,
E a Velha Pobre
Me observa,
Medita,
Conclui
Que na metade da vida
Eu tenho ainda escondidas
A fé, a esperança e a crença
Que as feridas encerram
Uma maré e começam
Uma bela Praia Verde
Pequena em mil
Praia Verde
Pequena em mil
Extensões
Como olhando longe
Mil horizontes
Você me entende?
Eu falo de mil
Praias Verdes

O Amazonas,
Empurra a gente
Para encontro
Tímido
À pedra
A Velha Pobre segura
Mesmo que cause fissura
Pra parar, olhar e sentir
Que a agonia dos dias
Aqui nunca as sentiria
No vento da praia verde
Pequena e infinita
Praia Verde
Pequena e infinita
Impressões
Como nascer sempre e sempre
No merecer
Você me entende?
Eu falo de infinitas
Praia Verdes

Praias
Verdes
Pantoja Ramos
Enviado por Pantoja Ramos em 03/09/2012
Código do texto: T3863141
Classificação de conteúdo: seguro



Oficina reúne manejadores da floresta em Santarém (PA)

O evento acontece nos dias 5 e 6 de setembro e tem o objetivo de ampliar as discussões da Politica de Manejo Florestal Comunitário Familiar no estado do Pará. A expectativa é reunir cerca de 90 participantes, de um público de pequenos produtores rurais, representantes de comunidades que trabalham com produtos madeireiros e não madeireiros e membros da sociedade civil, ligados ao tema do evento. Durante a oficina será apresentado o processo de construção da Política Estadual Manejo Florestal Comunitário Familiar, de modo que os participantes possam se integrar aos trabalhos, por meio de reuniões regionais (Santarém, Marabá, Altamira e Portel – Bases do Ideflor) e encontros com o Grupo de Trabalho (GT) que discute o assunto com o governo.

Grupo de Trabalho

No dia 30 março, no auditório da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), em Belém (PA), aconteceu a primeira reunião para discutir a política de Manejo Florestal Comunitário Familiar (MFCF) no Pará, com a participação da sociedade civil e órgãos do governo, entre os quais o Instituto de Desenvolvimento Florestal (Ideflor, PA), que está à frente do processo.
O Grupo de Trabalho, que é provisório e pode ser ampliado, ajudará o Ideflor a qualificar os aspectos técnicos e jurídicos referentes à criação do projeto de lei. O Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) integra o GT e, por meio de um convênio celebrado com o Ideflor, assessora o órgão no levantamento e consolidação das informações que demonstram a atual situação do MFCF no Pará, tendo como base experiências que estão em curso.
As discussões do evento em Santarém culminarão em consultas públicas, em 2013, em cinco municípios do estado: Santarém, Altamira, Marabá, Portel e Belém.


Realização
Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará (Ideflor)
Grupo de Trabalho da Politica Estadual de Manejo Florestal Comunitário e Familiar: BANPARÁ; EMATER; EMBRAPA; FASE; GRET; IDEFLOR; IFT; IEB; IPAM; IMAZON; PEABIRU; MPE/PA; PGE; SFB (Projeto FAO BR163); SEMA; STTR Santarém UFOPA; UFPA/NCADR.

Evento: Oficina de Discussão e Elaboração da Proposta de Política Estadual de Manejo Florestal Comunitário e Familiar no Pará
Data: 05 e 06 de setembro de 2012
Local: Centro de Formação Agrícola Francisco Roque, Rodovia Everaldo Martins km 8, comunidade de São Brás (estrada Santarém/Alter do Chão) Santarém-PA.

http://manejoflorestalcomunitario.blogspot.com.br/2012/09/oficina-reune-manejadores-da-floresta.html 

domingo, 26 de agosto de 2012

Chaves, Santa Cruz do Arari e Salvaterra debatem nesta semana uso sustentável dos recursos naturais

Esta semana, três eventos acontecerão no Marajó com o objetivo de debater o uso dos recursos naturais por comunidades locais:

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Rio Gurupi precisa de ajuda

O rio Gurupi separa os Estados do Pará e Maranhão. De um lado Boa Vista do Gurupi, em território maranhense. No lado paraense, Cachoeira do Piriá. Além da ponte, dividem vários povoados ao longo de suas margens, tribos indígenas, comunidades quilombolas.

    Figura 1 - Ponte sobre o rio Gurupi separando os Estados do Pará e Maranhão. Foto: Carlos Augusto Ramos

Em julho e agosto de 2012, visitei as localidades quilombolas de Camiranga, Bela Aurora, Paca, Aningal e Vila Mariana. Destas, somente a última ainda não tinha a regularização fundiária definida, mas todas em comum tem hoje a certeza que mais cedo ou mais tarde terão que discutir como se usa o rio Gurupi, maior fonte de pescado e meio de transporte da região, suas matas, suas margens.

A confusão está em trabalhar a gestão dos recursos naturais em meio a existência de fazendas e olarias que desmatam a mata ciliar e a pessoas que pescam sem respeito na época do defeso. Estão abertas ao diálogo para proteger o rio? Mas o problema é mais complexo: em lugar de fronteira, os órgãos dos diferentes Estados não jogariam (acho que já jogam) a responsabilidade ambiental um para o outro, enquanto os igarapés secam, o rio Gurupi passa por assoreamento, os cardumes ficam escassos, as comunidades ribeirinhas tem menos acesso aos recursos antes abundantes?

    Figura 2 - Porto da Comunidade Paca e Aningal. Foto: Carlos Augusto Ramos

O que serve de consolo do que vi são famílias quilombolas dispostas a recuperar o que se desfez  e desenvolver novos conceitos. E nas conversas que tive com as lideranças, acharam muito pouco os 15 metros sugeridos pelo Novo Código Florestal como área a ser recuperada nos desmates perto de cursos d´água. São vozes que escutaram outras vozes mais antigas dos tempos de fartura no rio Gurupi. Desejar seu retorno em mata é um direito desta e das novas gerações.

Figura 3 - Caminho por terra até a comunidade Bela Aurora, área preservada após a luta das famílias   locais contra o desmatamento das margens do rio Gurupi. Foto: Carlos Augusto Ramos.

Pessoal, o rio Gurupi precisa de ajuda.


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Petição sobre a copaíba


Caríssimos,

A copaíba tem grande importância para as populações tradicionais na Amazônia, sobretudo pelo valor medicinal do seu óleo, bastante utilizado no combate a várias doenças. Além disso, seus frutos são procurados pela fauna amazônica, ajudando a manter o equilíbrio da floresta. Deste modo, a copaíba vale muito mais em pé do que derrubada para o uso de sua madeira. Para poder estudarmos melhor a espécie, é necessário manter os indivíduos na floresta, sem a pressão pelo setor madeireiro.

A exploração da copaíba está ocorrendo em todo o Pará.


A copaíba é uma árvore que tem muito mais valor em pé do que derrubada! Vamos proteger a espécie proibindo sua utilização para a extração de madeira. O que ela precisa é de ciência.



Um abraço

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Carta sobre a copaíba


Belém, 06 de agosto de 2012.
Foto: FASE


Caríssimos Heraldo e Pollyanna,


O mundo de hoje é meio sem graça, sem mitos, muito racionalismo, com pouca magia e lirismo. Eu, como engenheiro florestal não podia ficar de fora deste perfil, focado nos resultados e métodos visíveis, concretos e numéricos. Mas foi a árvore de copaíba que ajudou a quebrar a casca dura do só-vendo-pra-crer, deixando mais leve o profissional que hoje sou.


Em curso realizado nos quilombolas de Gurupá para extração de óleo de copaíba, fiquei assombrado com o barulho feito por uma copaibeira quando acertamos a veia dela na procura por óleo. Foi como se um ralo estivesse a sugar uma pia cheia. Falaram isso pra mim antes, mas achei lenda. Assim como dizem que não é pra olhar pra cima na hora de furar a árvore com o trado, pois a bicha fica com vergonha e trava o óleo. Do mesmo modo que indicam que mulher “naqueles dias” não pode acompanhar a tirada do fluido, pois também esconde a produção. Dos casos que ouvi, só testemunhei o primeiro, do ruído dentro do tronco e fiquei maravilhado.


Naquele dia de curso a dita árvore fornecera 15 litros de óleo, que vendidos naquela época (2005, ano do curso) a R$30,00, daria ao quilombola R$450,00, uma boa diária para quem só tem o trabalho de furar, deixar o carote e mangueira fazerem o serviço, enquanto a pessoa faz outras atividades como caça ou pesca.


Em 2012, volto-me com a extração de óleo de copaíba. Desta vez, seu Pacatuba, um sábio daqueles que a gente esbarra na vida, formado na Universidade da Experiência e da Prudência, me diz que no centro de treinamento do IFT uma árvore que ele usa nos cursos que palestra já lhe dera 60 litros, com litro atualmente vendido facilmente no mercado a R$50,00, ou seja, uma receita de R$3.000,00 em uma só árvore! Isso sem falar dos animais que chama para perto de si na época da frutificação como a cutia e o porco-do-mato, a fornecer a carne necessária para os dias de luta pela comida.


Outro dia comprei um vidrinho com 30 ml de óleo de copaíba na farmácia, vendida a R$4,00. Processado e embalado, portanto, seu valor é entorno de R$130,00 o litro. E pelo efeito na gripe da gente, vale a pena.


O que acho que não vale a pena é derrubar copaibeira pra tirar madeira. Pagando o mercado madeireiro cerca de R$156,00 o metro cúbico em tora desta espécie, pense em uma árvore que tenha seus 4 metros cúbicos. São 624 reais que se consegue uma só vez, sem mais óleo e com um atrativo a menos para a fauna. Interfere-se em um potencial medicinal, na cultura de uma comunidade e no andar dos bichos. Mesmo a dita copaibeira que vi em 2005 com seus 15 litros ganhariam hoje em valor monetário sobre sua derruba, na mais pura linguagem capitalista seca.


Por tudo isso, não penso ser correto para o amazônida do futuro que hoje se derrubem árvores de copaíba.


Não deveriam constar nos editais de concessão florestal.


Não deveriam constar nos planos de manejo florestais madeireiros aprovados, principalmente naqueles ditos de POA único (onde só há uma exploração e pronto, uma praga).


Deveria ser condicionante em certificações florestais a ausência da copaíba nos planos operacionais anuais de exploração de madeira.
Caminhemos, pois, para a valorização cada vez mais da floresta em pé.


Aos mestres, escrevi.


Pantoja Ramos



*nota do autor:  recebi crítica e fiz autocrítica de que preciso relatar as coisas que faço e penso sobre o Marajó. Envio assim cartas aos amigos, a melhor forma para me sentir mais confortável para escrever.


** Este texto foi originalmente publicado no site Recanto das Letras.