domingo, 1 de julho de 2018

FAO apresenta as primeiras diretrizes voluntárias para concessões florestais nos trópicos

 
 
Caríssimas e Caríssimos,


Abaixo transcrevemos a notícia da FAO sobre seu recém publicado documento para orientar os países quanto ao uso das florestas tropicais para o aproveitamento de madeira, no regime de concessões florestais.


FAO, Roma/Nova Iorque, 10 de maio de 2018, notícia disponível na página da internet http://www.fao.org/sao-tome-e-principe/noticias/detail-events/en/c/1129549/.

"A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apresentou hoje as primeiras diretrizes voluntárias para concessões florestais nos trópicos, com o objetivo de torná-las mais transparentes, controláveis, responsáveis e inclusivas, tudo em benefício de algumas das comunidades mais pobres e isoladas do mundo.
Mais de 70% das florestas tropicais usadas para a recolecção de madeira e outros produtos florestais são propriedade pública ou estadual; a maioria dessas florestas públicas é gerida através de concessões que os governos concedem a entidades privadas ou comunidades locais.
As concessões florestais existem em muitas das nações mais pobres do mundo há décadas, mas suas contrapartidas nem sempre foram positivas. Embora tenham gerado empregos e rendimentos mais elevados para a população nas áreas remotas, eles também deixaram em muitos casos uma trilha de florestas degradadas e conflitos sobre a sua posse, afirma o documento Fazer com que as concessões florestais nos trópicos ajudem a alcançar a Agenda 2030: Directrizes voluntárias.
As concessões florestais podem ser geridas de forma inadequada devido à falta de habilidades adequadas para a gestão de florestas tropicais; governança fraca; regras e expectativas demasiado complexas ou foco nos benefícios de curto prazo, o que leva à sobreexploração; a distribuição inadequada de benefícios, a violação e falta de reconhecimento dos direitos das populações locais e a falta de rentabilidade económica.
A maior parte da perda de florestas nas duas últimas décadas teve lugar nos países em desenvolvimento da África subsaariana, do sudeste da Ásia e América Latina, o que destaca a necessidade de uma melhor gestão das florestas de produção pública nos trópicos.
As novas diretrizes voluntárias baseiam-se nas lições aprendidas para fornecer orientação prática para uma gestão mais sustentável dessas florestas tropicais públicas por meio de concessões.
'As diretrizes são um lembrete para todas as partes de que juntamente com os direitos, vêm as responsabilidades. Eles ressaltam a necessidade de um compromisso político fortalecido nos níveis nacional e local, estruturas jurídicas e institucionais claras e transparentes', afirmou Eva Muller, Diretora da Divisão de Políticas Florestais e Recursos da FAO, no Fórum das Nações Unidas sobre Florestas que estão sendo realizado em Nova Iorque, onde as diretrizes foram apresentadas.
'Se bem administradas, as concessões florestais podem ter múltiplos benefícios socioeconómicos e ambientais e aumentar o valor das florestas com vida para as gerações presentes e futuras. Em suma, podem melhorar as vidas das comunidades rurais em algumas das zonas mais pobres e isoladas do mundo', acrescentou Muller.

Como as concessões florestais podem ser úteis?
Concessões florestais são instrumentos jurídicos através dos quais o Estado confere direitos a uma entidade privada ou comunidade local a recolher madeira ou outros produtos florestais a curto prazo ou gerir os recursos florestais a longo prazo em troca de remuneração ou prestação de serviços.
Se bem gerida, as concessões florestais podem:
- Interromper o desmatamento e reduzir a degradação florestal;
- Melhorar a prestação de serviços ecossistémicos e reduzir a pegada de carbono para combater as alterações climáticas;
- Garantir a produção florestal sustentável e reforçar as cadeias de valor da floresta;
- Criar oportunidades de emprego e serviços;
- Gerar rendimentos em nível local e nacional que possa ser investido na conservação de florestas e melhores serviços sociais e de saúde
e contribuir de maneira geral e importante para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Diretrizes práticas para todos
'Repletas recomendações práticas, as directrizes voluntárias fornecem o enquadramento para o planeamento, implementação e monitoramento das concessões florestais que suporta a gestão florestal sustentável', disse Thais Linhares Juvenal, Oficial Senhor das Florestas na FAO e coordenadora das directrizes.
As diretrizes fornecem um conjunto de princípios que devem ser respeitados por todas as partes interessadas durante todo o ciclo completo de concessões e recomendações adaptadas às partes específicas implicadas: governos, concessionários, comunidades locais, doadores e organizações não-governamentais.
As diretrizes também incluem uma ferramenta de autoavaliação para que todas as partes possam verificar se há condições favoráveis para concessões florestais sustentáveis.

Novas perspectivas
As diretrizes voluntárias oferecem sugestões sobre como passar dos objectivos de aproveitamento a curto prazo - que podem levar à degradação florestal ou mesmo à desflorestação – a uma gestão florestal de longo prazo, criando as bases para uma gestão florestal verdadeiramente sustentável nos trópicos.
Para uma utilização mais abrangente e de longo prazo da floresta, as recomendações incluem: cultivar e colectar produtos agroflorestais (ervas, árvores de fruto e arbustos) e culturas agrícolas, juntamente com a colheita de madeira e outros produtos madeireiros; fazer a reposição de árvores de valor comercial para evitar a sua extinção no futuro; e, mais investimento na silvicultura: uma gestão activa da vegetação florestal para tornar as florestas sustentáveis.

Tirar proveito das melhores práticas que existem no mundo
As diretrizes têm por base as melhores práticas de concessão florestal em todo o mundo e procedem de consultas com mais de 300 especialistas técnicos dos setores público e privado, juntamente com representantes da sociedade civil na África, Ásia e Pacífico e América Latina.
Foram apresentadas como parte da 13ª sessão do Fórum das Nações Unidas sobre as Florestas, como parte da Madeira Sustentável para um Mundo Sustentável: uma nova iniciativa da Parceria Colaborativa sobre Florestas liderada pela FAO e desenvolvida juntamente com o Centro de Pesquisas Florestais Internacionais (CIFOR), a Organização Internacional de Madeira Tropical (ITTO), o Banco Mundial (BM) e o Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

As concessões no mundo
Reduzir a desflorestação no Brasil
O Brasil apenas começou a introduzir concessões florestais a partir de 2006, mas já alcançou resultados significativos, demonstrando que as concessões baseadas na transparência e que incluem a devida monitorização podem conservar as florestas naturais, desenvolvendo mercados para produtos e serviços a partir de florestas geridas sustentavelmente, o que levou a um maior bem-estar social.
Melhores modos de subsistência para as comunidades rurais na Guatemala
As concessões das florestas públicas na Guatemala são concedidas a comunidades e empresas para a exploração de produtos madeireiros e não-lenhosos.
Os 340 membros de uma concessão comunitária beneficiaram diretamente dos lucros, que chegaram a cerca de US $ 410.000 por ano - mais de US $ 1.200 por família. As concessões criaram 16.000 empregos, proporcionando benefícios adicionais aos membros da comunidade.

Aumento da área florestal: a Iniciativa de Bornéu
A Borneo Initiative é uma fundação criada em 2008 que promove a gestão sustentável de florestas na Indonésia.
A fundação presta assistência financeira e técnica aos concessionários, aos quais se vincula a uma rede profissional de especialistas para acompanhá-los e orientá-los durante todo o processo. Já alcançou um aumento de mais de 2 milhões de hectares de área de floresta natural.

O observador independente - protegendo as florestas dos Camarões
Em 2001, o governo dos Camarões nomeou o primeiro observador independente para monitorar as violações da legislação florestal - como a extração ilegal de madeira-  e garantir o seu cumprimento.
Esta decisão melhorou a governança florestal - tanto em termos de transparência quanto de divulgação de informação pública -  o que, por sua vez, aumentou a conscientização da responsabilidade por parte das autoridades".




Abaixo, apresenta-se os princípios que devem nortear as concessões (tradução do Blog Meio Ambiente, Açaí e Farinha)

•Princípio 1: Coerência com as políticas florestais para paisagens sustentáveis;
• Princípio 2: Marcos legais e institucionais claros, credíveis e eficazes;
•Princípio 3: Planejamento transparente, inclusivo e responsável, alocação, implementação e monitoramento de concessões florestais;
• Princípio 4: Capacidade técnica e humana para a gestão e operação de regimes de concessão em todos os níveis;
• Princípio 5: Sustentabilidade econômica e financeira de longo prazo;
• Princípio 6: Clareza e segurança dos direitos de posse;
• Princípio 7: Participação da comunidade e benefícios sociais para todos;
• Princípio 8: Integridade ambiental e uso sustentável dos recursos florestais.


O documento da FAO em inglês pode ser baixado em http://www.fao.org/3/I9487EN/i9487en.pdf.


A iniciativa de postar a notícia acima é relacionar tais princípios do documento da FAO com o atual debate no Estado do Pará sobre a Política de Manejo Florestal Comunitário.

Para conhecimento e reflexão-ação.
 
 
 
 

domingo, 24 de junho de 2018

Crônicas, Passageiro: ELA, do Beiradão

Apressado estava. Peguei o carro do aplicativo UBER para cortar a cidade na luta para protocolizar documentos importantes antes dos fechamentos das instituições públicas. O motorista, que aqui chamarei de Amintas, calado seguia na pista pesada de carros. Enquanto isso, eu seguia trocando áudios zaps com alguns colegas de trabalho, mencionando regiões, rincões, Marajó e Jari.
- Jari? – Abriu a boca o até então calado Amintas.
- Sim. Conheces?
- Sim. E como? Uma saudade do Jari...
- Pois é, eu me criei por lá, de 1981 a 1992.
- Ah, como é o seu nome mesmo?
- Pantoja.
- Seu Pantoja, eu me chamo Amintas e vivi lá de 1984 a 1993. Grandes tempos. Rolava muito dinheiro lá. Era molecão quando cheguei por lá.
- Que legal. Moravas em Monte Dourado?
- Beiradão. No Beiradão...
De repente Amintas calou. A princípio pensei que era por conta do trânsito, o motorista deve prestar atenção aos outros carros para não incorrer em acidente, ainda mais naquela tórrida hora de meio dia e pouco. Quando reparei naquele senhor, aparentemente de uns cinquenta e altos anos, vi escorrer a lágrima do olho direito, com a respiração própria de quem sentia peso no peito, tal peso cuja pressão nos expulsa o pranto. O homem recordou a cidadela chamada Beiradão, que veio abrigar a maioria dos trabalhadores braçais dos anos 1980 para o Projeto Jari que não podiam morar em Monte Dourado por não serem do Staff da empresa. Ficariam tais “peões” como eram chamados localmente, a maioria do Estado do Maranhão, no outro lado do rio Jari, que separa os estados do Pará e Amapá. O Beiradão deu origem ao hoje município amapaense de Laranjal do Jari.
- Ah, Beiradão... – Continuou Amintas – Tempos bons... Fui dono de uma Boate lá, sabia? Mesmo sendo moço.
- Boate? No Beiradão?
- Tá bom, tá bom (risos), fui dono de Cabaré. Tinha uns vinte e poucos de idade.
- Caramba. E prosperou?
- Se prosperou? Ganhei muita grana, pois lá vinham a peãozada da firma, os garimpeiros, os gateiros, tudo pra buscar carinho lá no Cabaré.
- E como conseguiste um negócio desse ramo?
- Na verdade eu cheguei lá pra cuidar da venda do meu irmão. Essas miudezas, rede, corda, bermuda, por aí. Como ele teve saudade da família, voltou pra Caxias, no Maranhão. Eu lá fiquei e fiz amizade com um cara que era dono de Cabaré na Malvina.
- Na Malvina?
- Tu já ouviste falar, né? Ali sempre morria um. Sempre tinha um boiando no dia seguinte. Pensa num lugar perigoso! O cara que era dono do Cabaré de lá fez uma filial na parte mais perto das catraias e como viu que eu era sério pra cuidar das vendas do meu irmão, acabou me convidando pra tomar de conta do Cabaré daquela parte do trapichão.
- E aí?
- Aí que o homem levou facada lá na matriz dele na briga com um garimpeiro. Foi mandado pra Macapá e não voltou mais, de susto. Eu nisso fui, fui, fui e acabei ficando com a filial dele sem reclamante.
- Entendi.
- Seu Pantoja, eu não tive administração na minha vida. Se tivesse alguém pra me orientar, eu era pra ter muito patrimônio! Mas ELA me levou tudinho...
- Ela?
- ELA – não disse o nome, apenas a denominava “ELA”.
Fiquei em silêncio.
- ELA foi comendo meu dinheiro, comendo, me enganando. Eu gostava tanto DELA. Era a preferida minha no Cabaré, minha parceria que ficou comigo. A gente junto fez a boate ficar sempre cheia, mesmo em noite de quarta-feira... era muita diversão. Eu não me metia com as outras moças, só com ELA. Gerenciava tudo. ELA me enganava. Gastamos tanto... E vim embora do Jari. Casei. Sou um homem bem casado, criei minhas filhas, todas formadas, netos bem cuidados. Aí apertou no trampo de eletricista... sou eletricista, viu? E vim dar um tempo aqui no UBER pra ajudar no sustento da casa.
- É aqui.
- Deu 18 reais.
- Agradeço a corrida e a conversa.
- Eu é que agradeço pela lembrança do Jari.
Amintas deu-me o troco de 2 reais ainda de olhos marejados.
ELA deve ter remexido sua mente. Mistério dele. Segredo dele.
Onde estaria ELA?









Pantoja Ramos
Publicado no Recanto das Letras. 
 
 

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Lamberto, o Traumatizado: Pós-Verdade

Maria Aneci, neta de Lamberto, o Traumatizado, caminhou até o avô coçando a cabeça e trazendo o Tablet com a frase que sua mãe Shana  (outra traumatizada) não conseguira responder a contento para a pequena curiosa. 

"Vô Lamberto, o que é  Pós-Verdade?"

Lamberto, tocava seu violão e respondeu de bate - pronto :

"Sabe quando te disseram que a Mentira tem perna curta? "

"Sim Sim "

"Pois é, ela agora anda por aí com uma PERNA DE PAU DE 3 METROS DE ALTURA, você até se espanta pelo tamanho. Mas nunca deixou de ser Mentira. Só está mais cheia de si.  Entendeu?"

"Valeu vô".

Maria Aneci olhou pro Tablet e sentenciou :

"Esse cara do YouTube eu não assisto mais. Nem esse,  nem esse,  nem esse...".


Sem Traumas. 
 
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 3 de junho de 2018

Oração da Castanheira

 

 
Foto: Yara Monteiro.

 

 

Belém, 01 de maio de 2018.



Pai,
Ou Mãe de toda a Vida
Sou a Castanheira do seu jardim
E Adão e Eva vieram a mim
Alimentei
Sem saber se se teria recompensa
Sem saber se me protegeriam

Mãe
Ou Pai de tudo que respira
Quando o meu ouriço assim quebrou
Todo Universo despertou
Toda mata
Todo pássaro
Todo bicho
Todo córrego
Até Você Tupã se espantou

O fogo é tão cruel
Mais cruel é o capim Caim
"Castanhejei" sua manhã, tu lembras?
Vizinhas araras cantando meu nome

Toda manhã floresta é doce sombra
Todo frescor do ar que bom suor
Baque que batuque
Um pouco pra ti,
um pouco pra cutia
Um pouco pra nós

Homem
Ou Mulher que tanto ajudo
Minha raiz não suportou
Tombei da morte do seu amor
Porém se germina o plantador
Da terra queimada
Castanheiras seremos
Até o final dos tempos



Pantoja Ramos
Publicado no Recanto das Letras.

sábado, 19 de maio de 2018

Sobre os Repasses Federais aos Marajoaras 2017: PARTE 2


"Ou os estudantes se identificam com o destino

do seu povo, com ele sofrendo a mesma luta, ou se

dissociam do seu povo, e nesse caso,

serão aliados daqueles que exploram o povo”.

Florestan Fernandes



Carlos Augusto Ramos[1]

Belém, 19 de maio de 2018.



Caríssim@s,

                Com base nos estudos feitos na primeira parte deste texto (Sobre os Repasses Federais aos Marajoaras 2017: PARTE 1[2]) e na tragédia que vem ocorrendo no rio Laguna, município de Melgaço, pela morte de 12 pessoas vitimadas pela hidrofobia[3], lanço minha proposta de carta para que movimentos sociais encaminhem para os altos dirigentes deste país:




CONSIDERANDO o artigo 1º da Constituição Brasileira em que “... A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado democrático de direito e tem como fundamentos... III – a dignidade da pessoa humana”; e de seu artigo 3º em que cita como “objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I –construir uma sociedade livre, justa e solidária; II–garantir o desenvolvimento nacional; III–erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV–promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação;



CONSIDERANDO o Censo do IBGE de 2010, o qual indica o município de Melgaço no Marajó, como aquele de menor ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO do país, no valor deste índice em 0,418;



CONSIDERANDO o repasse federal decrescente para o município de Melgaço, pior IDH do país, nos últimos 3 anos a saber: 2015 - R$ 53.276.686,26; 2016 - R$ 49.787.810,09; 2017 - R$ 45.050.530,09;



CONSIDERANDO o repasse federal investido por habitante do Marajó em 2017 em R$130,08 mensais, valor este menor do que os estudos feitos pela consultoria LCA sobre os valores limites de extrema pobreza em R$136,00 mensal por pessoa[4];



CONSIDERANDO o aumento de 11% de pessoas no Brasil em situação de extrema pobreza, ou seja, 14 milhões de habitantes a mais em comparação a 2016;



CONSIDERANDO o aumento dos casos de malária nos municípios de Breves, Curralinho, São Sebastião da Boa Vista, Anajás, Bagre e Portel[5];



CONSIDERANDO o fechamento das escolas no campo próximas às comunidades ribeiras de maneira intensa por meio de suas prefeituras municipais para a instalação de escolas-pólo que tem trazido uma série de reclamações de pais, alunos e professores sobre a logística e alcance da merenda nestes pólos[6];



CONSIDERANDO o aumento do número de jovens reclamantes da carência de ensino médio em suficiência nos municípios marajoaras;



CONSIDERANDO a precarização da segurança pública em todo o Estado do Pará, agravada pelo aumento de mortes em conflitos agrários[7] e da violência entre o tráfico de drogas e milícias[8];



CONSIDERANDO a destinação de 4,14% do Orçamento Geral da União em 2017 para gastos com saúde; 4,10% de gastos com educação e 0,03% com saneamento básico no país segundo a ONG Auditoria Cidadã da Dívida[9];



CONSIDERANDO a isenção fiscal e perdão de dívidas em bilhões de reais favorecendo bancos[10] e grandes empresas[11];



CONSIDERANDO os meios de comunicação de TV Aberta que não divulgam as informações básicas sobre o prejuízo da dívida pública para os mais de 100 milhões de brasileiros que os assistem;



CONSIDERANDO o aumento de pessoas no país que dormem ao relento, sem teto, sem trabalho ou entregues aos vícios das drogas numa situação óbvia de saúde pública;



CONSIDERANDO a corrupção advinda das instituições governamentais em suas três esferas, mas sobretudo das grandes empresas que alimentam esse sistema;








Chega-se à conclusão:


A Emenda Constitucional 95 de 2016, de Teto dos Gastos Públicos é INCONSTITUCIONAL e um sinal de quebra entre os entes que formam a República Federativa; é ato de separação unilateral dos Governos em relação à sua população.







[1] Engenheiro Florestal, Consultor Socioambiental, nascido em Portel, registrado em Belém, criado no Jari.
[4] Villas Boas, B. Pobreza extrema aumenta 11% e atinge 14,8 milhões de pessoas. 2018. Disponível em http://www.valor.com.br/brasil/5446455/pobreza-extrema-aumenta-11-e-atinge-148-milhoes-de-pessoas . Acessado em 19 de maio de 2018.
[6] O Fórum Paraense de Educação do Campo é o maior movimento de crítica a este nefasto sistema de precarização do ensino público.